Velhos Bandidos (por Casal Doug Kelly)

Velhos Bandidos (2026), longa-metragem nacional de comédia e ação, distribuído pela Paris Filmes, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir de 26 de março de 2026, com classificação indicativa 14 anos e 108 minutos de duração.

O filme, em um primeiro momento, entrega uma premissa que poderia facilmente virar aquele tipo de comédia leve que você assiste enquanto dobra roupa. Mas, surpreendentemente, a obra tenta dar uma chacoalhada no público — nada muito radical, claro, só o suficiente para você pensar “olha só, tentaram”.

Dirigido por Claudio Torres (filho na vida real da protagonista), o longa junta Fernanda Montenegro, Ary Fontoura, Bruna Marquezine, Vladimir Brichta e Lázaro Ramos — um elenco tão variado que parece reunião de condomínio: tem idoso, jovem, galã, influencer e o síndico tentando manter a ordem. O roteiro nem sempre aproveita tudo isso, mas a mistura rende momentos curiosos.

A história gira em torno de um assalto liderado por Marta (Fernanda Montenegro) e Rodolfo (Ary Fontoura), dois idosos que decidem que velhice não é sinônimo de crochê e novela das seis. Eles recrutam Nancy (Bruna Marquezine) e Sid (Vladimir Brichta), a dupla jovem que inicialmente reage como qualquer millennial reagiria: “gente, isso é crime”. No encalço deles está Oswaldo (Lázaro Ramos), o investigador que cumpre exatamente o que se espera dele — nada mais, nada menos.

O filme se vende como comédia, e realmente entrega algumas risadas. Mas seus melhores momentos acontecem quando ele escapa do rótulo e tenta surpreender, incluindo um plot twist final que faz você pensar “ah, então era isso”. Não muda sua vida, mas dá um saborzinho extra.

O destaque inesperado é o etarismo, que aparece ali, de fininho, sem discurso, sem palestra, sem dedo em riste. Surge nas situações, nas piadas, nos olhares tortos — e funciona justamente porque não tenta ser profundo. É aquele tipo de crítica social que chega sorrindo e sai levando sua carteira.

Nas atuações, Fernanda Montenegro faz o que Fernanda Montenegro sempre faz: domina a cena com a mesma facilidade com que você domina o botão de pular anúncio. Ela não atua — ela existe. Vladimir Brichta aposta num Sid meio exagerado, meio caricato, meio “vou até onde deixarem”. E funciona, porque ele tem timing. Ary Fontoura entrega um Rodolfo equilibrado, engraçado sem virar meme ambulante. Bruna Marquezine faz uma Nancy mais contida, quase a voz da razão — alguém tinha que ser. Já Lázaro Ramos faz seu investigador com a energia certa, mesmo preso num arco tão previsível quanto o final de novela das nove.

No fim, “Velhos Bandidos” encontra um meio-termo entre divertir e emocionar. Não revoluciona nada, mas entrega boas situações, um elenco afiado e uma camada discreta de crítica social que aparece sem avisar. É entretenimento com um toque de malícia — e, convenhamos, isso já é mais do que muita comédia por aí consegue oferecer.

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