
Crepúsculo (Twilight, 2008), longa-metragem estadunidense de romance sobrenatual, distribuído pela Paris Filmes, reestreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir de 19 de março de 2026, com classificação indicativa 12 anos e 122 minutos de duração.
“Crepúsculo” é o filme perfeito para quem já viveu aquele amor adolescente tão intenso que faz você achar que o mundo mudou, que o ar ficou mais leve e que até as nuvens resolveram virar tapete. Nós descreveríamos esse sentimento como: “parabéns, você está oficialmente viciado em alguém”. E é exatamente esse estado emocional — meio mágico, meio patético — que explica por que tanta gente se derrete por esse filme.
Baseado no primeiro livro da saga de quatro volumes (que gerou cinco filmes) de Stephenie Meyer, que vendeu milhões e gerou mais sites de fãs do que deveria ser legal, “Crepúsculo” tenta inovar no gênero “paixão adolescente” adicionando um ingrediente ousado: um vampiro que, em vez de virar cinzas no sol, vira purpurina. Catherine Hardwicke dirige, Melissa Rosenberg roteiriza, e juntas elas criam um romance sobrenatural que mistura terror, fantasia e hormônios em ebulição.
Bella (Kristen Stewart), 17 anos, muda do ensolarado Arizona para morar com o pai (Billy Burke) em Forks, Washington — também conhecido como “o lugar onde o sol vai para morrer”. Lá, ela conhece Edward Cullen (Robert Pattinson), um garoto misterioso, pálido, frio e com cara de quem não dorme desde 1918. Ele age como se Bella tivesse cheiro de cebola estragada, mas, quando um carro quase a atropela, ele aparece do nada e segura o veículo com a mão, como quem segura uma sacola de supermercado. Romance moderno é isso aí.
Depois disso, Edward salva Bella de um ataque cometido por de jovens de outra cidade e passa a observá-la dormir constantemente — o que, em qualquer outro contexto, seria motivo para chamar a polícia. Mas como ele é bonito, vira “gesto romântico”.
Bella descobre que o Dr. Carlisle Cullen (Peter Facinelli) e sua esposa Esme (Elizabeth Reaser) adotaram Edward e outros quatro jovens: Alice (Ashley Greene), Rosalie (Nikki Reed), Jasper (Jackson Rathbone) e Emmet (Kellan Lutz). E que se tratam de uma família de vampiros “vegetarianos”, ou seja, só bebem sangue animal — a versão sanguinária do veganismo. Eles moram numa mansão isolada, faltam à escola quando faz sol (para não ofuscar os colegas com o brilho diamantado da pele) e tentam manter o segredo. Spoiler: falham.
A visita à casa dos Cullen inclui um jogo de beisebol vampírico — porque? por que não? — interrompido por três vampiros nômades: James (Cam Gigandet), Victoria (Rachelle Lefevre) e Laurent (Edi Gathegi) que sentem o cheiro de Bella e decidem que ela seria um ótimo lanche da tarde.
O romance entre Bella e Edward é tão instável quanto o humor de um adolescente com fome. Ele a apresenta ao seu mundo de supervelocidade, leitura de mentes e insônia eterna; ela quer virar vampira para ficar com ele para sempre, abandonando sua humanidade aos 17 anos.
Mas, apesar de tudo, o filme funciona. A gente entende por que Edward fica obcecado por Bella (ele não tem muita opção, vive repetindo o ensino médio há décadas). E entende por que Bella quer tanto Edward (ele brilha, corre rápido e salva vidas — é diferente de outros garotos da idade dela). Eles estão dispostos a enfrentar qualquer coisa pela sensação inebriante do primeiro amor, e isso, no fim das contas, é o que mantém o público preso.
No fundo, “Crepúsculo” é sobre dois jovens lindos, dramáticos e emocionalmente instáveis que decidem desafiar o mundo — e a lógica — para viver um amor impossível. E, convenhamos, quem nunca?
















