Uma Longa Jornada (por Casal Doug Kelly)

Há algo mágico nas histórias escritas por Nicholas Sparks — e “Uma Longa Jornada” (The Longest Ride, 2015) não foge a essa tradição encantadora. Ao assistir essa adaptação, percebe-se que Sparks tem um talento raro: ele cria mundos onde o amor verdadeiro encontra sempre um caminho, onde a gentileza ainda importa e onde o coração humano, mesmo ferido, continua acreditando. E, sinceramente, isso é um presente. O filme é, de longe, uma das adaptações mais sensíveis e bem construídas de sua obra. A trama não apresenta uma, mas duas histórias de amor — porque se é para sofrer, que seja logo em dobro.

Luke Collins (Scott Eastwood) e Sophia Danko (Britt Robertson) se conhecem em um rodeio (porque claro que Sparks não perderia a chance de colocar um cowboy charmoso na equação), e desde o primeiro olhar fica claro que algo profundo está prestes a nascer. Luke é o típico peão de rodeio que parece ter saído de um catálogo de “homens que realmente sabem usar chapéu”. Sophia, por outro lado, é a universitária inteligente, prestes a iniciar uma carreira brilhante no mundo da arte em Manhattan — até o destino decidir que ela precisa de um cowboy para bagunçar sua vida.

Mas o destino reserva ao futuro casal mais do que um romance inesperado. Após o primeiro encontro, nossos pombinhos avistam Ira Levinson (Alan Alda), um senhorzinho que sobrevive a um acidente de carro graças a Luke, enquanto cabe a Sophia salvar uma caixa cheia de cartas antigas — porque Sparks não perde a chance de colocar correspondência romântica no meio. Sophia, curiosa e claramente sem medo de cometer crimes federais, começa a ler as cartas. E assim nasce uma amizade improvável entre ela e Ira.

A história de Ira e Ruth, ambientada nos anos de 1940, é um lembrete poderoso de que o amor verdadeiro exige entrega, coragem e, às vezes, sacrifício. Eles enfrentaram nazistas, traumas, infertilidade e ainda assim conseguiram construir uma vida juntos — enquanto hoje em dia tem gente que termina relacionamento porque o outro demorou para responder no WhatsApp.

Jack Huston e Oona Chaplin dão vida a esse casal que, juntos, constroem não apenas uma história, mas um legado — uma coleção de arte, uma vida compartilhada, um amor que resiste ao tempo. E é justamente essa herança emocional que conecta Sophia e Ira de maneira tão íntima. Ela compreende sua paixão pela arte, ele reconhece nela a mesma chama que viu em Ruth. É como se duas gerações se tocassem, como se o passado estendesse a mão ao presente revelando aos poucos os desafios enfrentados por cada casal.

Quanto ao elenco, enquanto todo mundo comenta sobre Scott Eastwood ser filho de Clint Eastwood, esquecem que existe uma nova geração de Chaplins atuando e muito bem. Scott, claro, está impecável como Luke. Ele é tão bonito que chega a ser ofensivo. Seus olhos azuis brilham como se tivessem sido calibrados digitalmente e seus músculos parecem ter sido esculpidos por um escultor renascentista com tempo livre. Britt Robertson (belíssima) faz um bom trabalho como Sophia, mas convenhamos que competir com Eastwood, Alda, Huston e Chaplin é desafiador.

No geral, “Uma Longa Jornada” é exatamente o que promete: uma viagem doce, dramática e cheia de amor, daquelas que fazem você suspirar, rir e talvez até mandar mensagem para alguém que não deveria.

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