Devoradores de Estrelas (por Casal Doug Kelly)

Devoradores de Estrelas (Project Hail Mary, 2026), longa-metragem estadunidense de ficção-científica, distribuído pela Sony Pictures, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir de 19 de março de 2026, com classificação indicativa 14 anos e 150 minutos de duração.

O filme acompanha Ryland Grace (Ryan Gosling), um professor de ciências do ensino fundamental que acorda sozinho numa nave espacial, sem memória, sem contexto e sem nem um bilhetinho dizendo “boa sorte”. Aos poucos, entre flashbacks e cálculos que fariam qualquer aluno do 6º ano chorar, ele descobre que foi enviado para salvar a Terra de uma extinção global. Porque, claro, quando o planeta está prestes a morrer, a solução é mandar um professor mal remunerado para o espaço.

A história, adaptada do romance de Andy Weir, começa como ficção científica séria, mas rapidamente vira algo muito mais estranho — e surpreendentemente fofo — quando Grace percebe que não está sozinho. Ele encontra Rocky (voz de James Ortiz), um alienígena engenheiro com cinco patas, aparência de rocha viva e comunicação via notas musicais.

Assim como em seu filme anterior, “Perdido em Marte” (2015), o diretor constrói tensão não com explosões, mas com problemas científicos que precisam ser resolvidos antes que tudo vá para o espaço — literalmente. Grace improvisa experimentos, faz contas desesperadas e tenta salvar a humanidade como quem segue um tutorial do YouTube gravado em 2009.

O melhor do filme é a amizade improvável entre Grace e Rocky. Em vez de guerra intergaláctica, temos dois nerds espaciais tentando se comunicar com sons, gestos e desenhos, como se fossem dois escoteiros perdidos no universo. A parceria científica vira uma amizade épica, provando que, às vezes, o verdadeiro alienígena é o ser humano que não sabe trabalhar em grupo.

Ryan Gosling carrega o filme nas costas. É correto afirmar que, o longa não teria sido nem metade do que é se não tivesse o ator certo no papel principal. Felizmente para nós e para os fãs do livro, Gosling captou perfeitamente a essência e os trejeitos de Grace. Ele passa a maior parte do tempo sozinho em cena, explorando sua nave espacial e aprendendo a pilotá-la, mas sua atuação nunca se torna monótona.

O humor funciona muito bem. As piadas secas e autodepreciativas do livro foram preservadas pelos diretores Phil Lord e Christopher Miller. A comédia surge das reações de Grace às situações absurdas: privação de sono, experimentos improvisados, explicações científicas para um alienígena teimoso que não entende por que humanos fazem karaokê com músicas de Harry Styles.

Alguns podem reclamar do ritmo, mas o filme abraça o lado nerd do livro sem vergonha. Ver Grace calculando distâncias espaciais e mexendo em materiais extraterrestres como se estivesse fazendo um trabalho de feira de ciências é parte do charme. Os flashbacks ajudam a construir o personagem — reforçando que Grace não é um herói clássico: é só um cara comum que caiu numa missão extraordinária porque ninguém mais tinha competência para ir.

No fim, uma coisa é certa: apesar de dificilmente uma adaptação ser considerada perfeita, “Devoradores de Estrelas” chega bem perto. É emocionante, engraçado, inteligente e ainda faz você torcer por uma pedra alienígena com cinco patas. O que mais alguém poderia querer?

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