
A Noiva! (The Bride!, 2026), longa-metragem estadunidense de drama, distribuído pela Warner Bros, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir de 05 de março de 2026, com classificação indicativa 16 anos e 126 minutos de duração.
“A Noiva!” pega o conto clássico de monstros, joga no liquidificador com romance tóxico, drama exagerado e caos puro, e serve tudo como se fosse a coisa mais natural do mundo. Logo nos primeiros minutos, você tenta adivinhar o gênero do filme e falha miseravelmente. Drama? Terror? Mistura dos dois? Nada disso. É novela gótica com gente surtando por amor — e o mocinho é ninguém menos que Frankenstein, porque aparentemente o Tinder dos anos 1930 estava complicado.
O filme não perde tempo com enrolação. A Noiva (Jessie Buckley) — ressucitada pela cientista Dr. Euphronious (Annette Bening) — quer descobrir o próprio nome, Frankenstein (Christian Bale) quer alguém pra chamar de “minha criatura”, e pronto: começa a montanha-russa. A Chicago da década de 1930 vira palco de um romance tão saudável quanto um relacionamento baseado em mensagens às três da manhã. A história pega o mito de Frankenstein e transforma em um grande “e se o amor desse errado de todas as maneiras possíveis?” à la Bonnie e Clyde.
Buckley aparece em cena como se tivesse tomado três cafés, um energético e decidido que hoje ninguém vai dormir. Cada fala, cada olhar, cada movimento parece gritar “eu não vim ao mundo pra agradar homem nenhum”. A Noiva renasce já cansada do mundo, irritada com barulho, toque, emoção, tudo. Ela quer autonomia, quer respostas.
Do outro lado, Bale interpreta Frankenstein como um homem que claramente precisava de terapia, mas decidiu pedir ajuda para montar uma mulher do zero porque achou mais prático. Ele é silencioso, triste e anda pela casa como quem perdeu o controle remoto.
A química entre o casal é tão intensa que parece prestes a explodir — e explode mesmo, porque nada ali é estável. É romance, sim, mas daqueles que fazem você pensar: “gente, separa antes que alguém vire manchete”.
Conforme a história avança, tudo fica ainda mais maluco. Pois, o filme parece decidido a testar quantos arcos narrativos são possíveis sem que o roteiro se perca (spoiler… e se perde): temos Ronnie Reed (Jake Gyllenhaal), artista musical que Frank idolatra (tendo inclusive, assistido a todos os filmes do astro no cinema); temos Myrna Mallow (Penélope Cruz) uma aspirante a detetive que busca reconhecimento, mas não consegue por ser mulher; temos o Det. Jake Wiles (Peter Sarsgaard) parceiro de Myrna e dono de um passado tão duvidoso que parece currículo de político em ano eleitoral. E como se isso não fosse o bastante, ainda tem um mafioso com tara por arrancar línguas femininas.
Mas voltando ao arco principal, o que começou como “quero companhia” vira rebelião, violência e caos cultural. A Noiva se recusa a ser o que esperam dela, e o filme abraça essa recusa com gosto. Tem insanidade, tem escolhas duvidosas, tem gente surtando como se fosse feriado prolongado. Mas, no fundo, é tudo muito trágico: dois seres desesperados por conexão, mas completamente incapazes de não se destruir no processo.
Maggie Gyllenhaal, dirigindo tudo isso, pega a personagem que no material de origem (A Noiva de Frankenstein, 1935) mal falava e diz: “agora você vai falar, pensar, exigir e causar”. E ela causa. A direção não tenta deixar nada bonitinho; pelo contrário, parece até incentivar o desconforto. Assistir ao filme é como embarcar numa viagem psicodélica sem ter certeza de quem te ofereceu o doce.
“A Noiva!” não tem a menor intenção de ser organizada. É caótico, exagerado, cheio de momentos que fazem você pensar “isso realmente aconteceu ou eu imaginei?”. É um romance turbulento entre duas criaturas quebradas tentando preencher o vazio uma da outra — e falhando lindamente. No final, você fica com a sensação de ter assistido algo estranho, trágico e, de algum jeito, bonito. E se você ainda estiver se perguntando se eles realmente se amavam, não precisa quebrar a cabeça. Eles mesmos disseram. “Até o fim dos tempos.”
















