Arco (por Peter P. Douglas)

Arco (2025), longa-metragem de animação, coprodução França e Estados Unidos, distribuído pela Mares Filmes e Mubi, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir de 26 de fevereiro de 2026, com classificação indicativa 10 anos e 88 minutos de duração, dirigido por Ugo Bienvenu e produzido pela atriz Natalie Portman.

A animação nos apresenta Arco, um garoto de cerca de 10 ou 11 anos que vive em um futuro distante, onde a humanidade passou a morar, em plataformas suspensas, nas nuvens. Em algum momento, decidiu-se que a Terra precisava de um “Grande Pousio”, um período de descanso para que o planeta pudesse se recuperar e a água que dominou as áreas baixas pudesse secar. Nesse cenário, vemos Arco cuidando de galinhas e alimentando porcos, uma rotina simples que contrasta com a tecnologia avançada ao redor. Nessa época, ao completar 12 anos, as pessoas recebem uma capa arco-íris com um diamante especial que refrata a luz e permite voar — e viajar no tempo.

Arco ainda não tem idade para isso, mas resolve tentar mesmo assim. Ele pega a capa da irmã enquanto a família dorme e salta da plataforma. A partir daí, a narrativa nos apresenta Iris, uma menina da mesma idade que vive em uma cidade protegida por um domo que abre e fecha dependendo da Intempéries. Ela e seu irmãozinho são cuidados por Mikki, um robô que faz o papel de responsável enquanto seus pais, sempre ocupados, se comunicam apenas por hologramas. Iris gosta de Mikki, mas sente falta de algo mais. É nesse momento que Arco aparece em sua vida.

Iris vive no passado de Arco, embora ainda seja o nosso futuro. Para ela, o ano é 2075, e a Terra já sofre com os efeitos severos das mudanças climáticas. A trama segue caminhos familiares: Arco tenta se adaptar, Iris se torna sua amiga, e um mal-entendido acaba levando os dois a fugir. Alguns elementos funcionam melhor do que outros, como os trigêmeos monocromáticos (Dougie, Stewie e Frankie) que perseguem Arco para provar a existência de viajantes do futuro — uma escolha que serve mais como alívio cômico do que como parte essencial da trama. Como esperado, Iris tenta ajudar Arco a voltar para casa, mesmo sem querer que ele vá embora. O diretor, porém, entrega um final emocionante que compensa parte das irregularidades do percurso, ainda que a narrativa siga uma linha bastante direta.

Visualmente, o filme é muito atraente. Bienvenu, em sua estreia a frente de longa-metragens reuniu jovens animadores talentosos, e isso dá ao filme uma energia criativa evidente. Ele também parte de uma ideia interessante: imaginar um futuro que não seja apenas sombrio, mas também cheio de maravilhas. Ao mesmo tempo, mantém os pés no chão ao mostrar que o futuro próximo pode ser difícil, refletindo os problemas do presente. Ou seja, o diretor imagina um futuro distante esperançoso e um futuro imediato complicado.

O caminho à frente pode ser desafiador, mas o filme sugere que ainda existe esperança — talvez do outro lado do arco-íris. E Bienvenu reforça que a animação continua sendo um espaço poderoso para grandes visões e histórias pessoais. As intenções artísticas são claras e fortes; talvez, no próximo trabalho, a execução consiga acompanhar ainda mais essas ambições.

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