
A Vida Secreta de Meus Três Homens (2025), longa-metragem nacional de drama, distribuído pela Embaúba Filmes, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir de 05 de março de 2026, com classificação indicativa 14 anos e 75 minutos de duração.
O filme de Letícia Simões parece aquele projeto que a equipe abraça como se fosse um filho prodígio, mas que, quando chega ao público, vira aquele primo distante que ninguém sabe muito bem como cumprimentar. A produção aposta firme num clima teatral, daqueles em que todo mundo fala olhando para o nada como se estivesse prestes a revelar um segredo que só faz sentido para quem está no palco.
A diretora organiza tudo em três atos, cada um dedicado a um homem importante da vida dela: o avô Arnaud (Guga Patriota) que viveu aventuras dignas de cordel, o pai Fernando (Giordano Castro) que misturava boemia com escolhas políticas duvidosas e Sebastião (Murilo Sampaio) o padrinho fotógrafo negro e homossexual, que tinha mais histórias que álbum de família. Entre entrevistas conduzidas pela “narradora” (Nash Laila), arquivos e objetos espalhados num cenário que parece ter sido montado com o que sobrou do estoque de um teatro municipal, o filme tenta reconstruir memórias como quem monta um quebra-cabeça com peças de caixas diferentes.
O problema é que o ritmo lembra aquele amigo que promete “só mais uma história” e segue falando por horas. Os monólogos se estendem, as cenas parecem ensaios gravados por engano e, quando cada ato termina, o filme joga uns dados históricos na tela como se dissesse “toma aqui um contexto, vê se ajuda”. A diretora aparece, mas sempre mantendo uma distância segura, como quem prefere comentar sobre os outros sem entrar muito no assunto dela mesma.
No fim, “A Vida Secreta de Meus Três Homens” chega com pose de obra profunda, mas acaba funcionando mais como um exercício pessoal que não encontra muito espaço para quem está do lado de fora. A sensação é de que havia material para algo maior, mas tudo fica preso numa introspecção que não deixa a coisa decolar.















