Depois do Fogo (por Peter P. Douglas)

Depois do Fogo (Rebuilding, 2025), longa-metragem estadunidense de drama, distribuído pela Synapse Distribution, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir de 12 de março de 2026, com classificação indicativa 12 anos e 95 minutos de duração.

Depois de um incêndio que deixou tudo em ruínas, um cowboy que ficou sem nada descobre que talvez a vida não gire só em torno de cercas, pasto e teimosia. Assim pode ser resumido “Depois do Fogo” o segundo longa de Max Walker-Silverman, que parece decidido a seguir no mesmo compasso de seu primeiro filme (Uma Noite no Lago, 2022), como se tivesse encontrado um ritmo e pensado: “é isso, vou ficar por aqui mesmo”. O resultado é outra história que mira no humano sem fazer alarde, como se estivesse conversando baixinho com quem assiste.

O filme se passa no Vale de San Luis, no Colorado, começando com uma sequência que mostra o estrago deixado pelo fogo: um cenário cinzento, árvores retorcidas e aquele clima de “boa sorte pra quem sobrou”. É nesse cenário que aparece Dusty Fraser (Josh O’Connor), um vaqueiro que viu seu rancho virar carvão e agora precisa vender o pouco que restou em um leilão. No meio disso, Dusty reencontra a ex-esposa Ruby (Meghann Fahy) e a filha Callie Rose (Lily LaTorre).

O’Connor interpreta Dusty como alguém que tenta manter a compostura enquanto tudo desmorona. Ele é orgulhoso do que fazia, mas agora precisa lidar com o fato de que o passado não volta só porque ele quer. Mesmo assim, ele não sai por aí desabando; guarda tudo para si, como quem acha que demonstrar algo seria admitir derrota. É impressionante como O’Connor consegue transmitir tanto sem precisar abrir a boca o tempo todo.

O título do filme em português “Depois do Fogo” indica que se falará do que acontece depois de uma tragédia. Já o título em inglês “Rebuilding = Reconstrução” até parece falar de casas e cercas, mas o que realmente está sendo reconstruído ali é outra coisa.

Além de se reconectar com a filha, outro ponto importante da trajetória de Dusty acontece quando ele vai morar em um acampamento temporário, perdido numa planície entre montanhas. Ele se acomoda em um trailer apertado e, com o tempo, passa a conviver com outras pessoas que também perderam tudo. Ali, encontra um grupo que, acaba ajudando-o a perceber que ainda existe algo a ser vivido.

O filme está cheio de pequenos momentos que podem levar várias pessoas as lágrimas: Dusty e a filha usando o Wi-Fi de uma biblioteca rural como se fosse ouro; a visita ao cavalo que ficou aos cuidados de um amigo; e Amy Madigan como Bess, a sogra que trata Dusty com um carinho que ele claramente não acha que merece.

“Depois do Fogo” funciona como um drama que prefere caminhar devagar. O’Connor entrega um trabalho sólido, acompanhado por um elenco que sabe exatamente o que está fazendo. Walker-Silverman conduz tudo com um minimalismo que não tenta impressionar ninguém, mas acaba acertando em cheio. No fim, o filme fala sobre alguém tentando se reconstruir depois de perder tudo — e faz isso de um jeito que pega o espectador sem precisar levantar a voz.

Compartilhe

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *