
Pânico 7 (Scream 7, 2026), longa-metragem estadunidense de suspense e terror, distribuído pela Paramount Pictures, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir de 26 de fevereiro de 2026, com classificação indicativa 18 anos e 114 minutos de duração.
Tudo que é nostálgico acaba retornando de alguma forma, e “Pânico 7” segue exatamente esse movimento. A nova sequência, dirigida por Kevin Williamson, retoma uma franquia que começou entre 1996 e 2000 sob o comando de Wes Craven, que ainda voltaria em 2011 para “Pânico 4”. Em 2022, a Paramount e a Spyglass decidiram reviver a série, resultando no espetacular “Pânico 5” e no questionável “Pânico 6”, ambos bem-sucedidos comercialmente. Diante disso, a encomenda de um sétimo filme em 2023 era praticamente inevitável.
A produção, porém, enfrentou uma série de problemas. Melissa Barrera foi demitida após publicações pró-Palestina, o que gerou protestos e ameaças de boicote. Jenna Ortega deixou o projeto alegando conflitos de agenda, e o diretor Christopher Landon também se afastou após receber ameaças de morte relacionadas à demissão de Barrera. O cenário se tornou instável e exigiu uma reorganização completa.
A solução encontrada pelo estúdio foi trazer de volta Kevin Williamson (roteirista do primeiro filme), investir no retorno de Neve Campbell — que havia recusado “Pânico 6” por questões salariais — e reescrever o roteiro, deixando de lado os personagens de Barrera e Ortega para focar novamente em uma história de legado.
Sidney Prescott agora vive em Pine Grove, Indiana, com o marido Mark (Joel McHale substituindo Patrick Dempsey) e a filha adolescente Tatum (Isobel May). A tranquilidade dura pouco: um novo Ghostface surge e volta a colocar Sidney e sua família no centro do conflito.
O filme abraça a nostalgia de forma evidente. Há referências diretas ao longa de 1996, músicas familiares, diálogos que remetem aos primeiros filmes e uma estrutura que retorna ao formato clássico: uma cidade pequena, um grupo de adolescentes suspeitos e uma atmosfera que lembra os capítulos iniciais da franquia. A violência é menos gráfica do que nas duas sequências anteriores, algo que combina com o estilo de Williamson.
Um dos elementos mais característicos da franquia sempre foi acompanhar seus protagonistas ao longo dos filmes, em vez de focar exclusivamente no assassino. Nesse sentido, a ausência de Campbell no sexto longa acabou abrindo espaço para uma abordagem renovada de Sidney em “Pânico 7”. A personagem lembra a Laurie Strode (Jamie Lee Curtis) de “Halloween” (2018), mas sem o mesmo peso traumático ou obsessivo. Sidney realmente tenta seguir em frente e levar uma vida normal, protegendo a filha dos horrores do passado, mesmo sabendo que tudo pode retornar.
Sidney é alguém exausta de ter que lidar com o próprio legado. E, quando os corpos começam a se acumular, esse sentimento de fadiga é explorado em muitos dos momentos mais engraçados do filme. Neve Campbell está em seu auge na franquia, demonstrando total domínio da personagem após 30 anos de experiência vivendo esse papel. Sua atuação se destaca como o elemento mais sólido e convincente desta nova continuação.
As demais atuações funcionam bem, especialmente as de Isobel May e Joel McHale. O grupo de adolescentes também cumpre seu papel dentro da estrutura típica da franquia. Já alguns rostos conhecidos têm menos impacto. Mason Gooding e Jasmine Savoy Brown não têm realmente um motivo muito bom para estarem no longa. Courteney Cox – a única atriz a aparecer em todos os sete filmes – tem sua melhor entrada até hoje, mas depois tende a se perder, já que não se consegue encontrar um propósito totalmente justificável para sua presença. No ato final, ela desaparece quase completamente, como se Williamson tivesse se esquecido de que ela fazia parte da história.
No conjunto, “Pânico 7” é um filme eficaz, e os espectadores que assistiram aos seis filmes anteriores não terão dificuldade em encontrar motivos para gostar do sétimo. A repetição de fórmulas é perceptível, mas a presença de Neve Campbell sustenta boa parte do interesse. Quanto à polêmica envolvendo Melissa Barrera, cabe ao público interessado decidir como lidar com isso.















