
Sonhos de Trem (Train Dreams, 2025), longa-metragem estadunidense de drama, distribuído pela Netflix e O2 Play, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir de 12 de fevereiro de 2026, com classificação indicativa 14 anos e 102 minutos de duração.
Baseado na novela homônima de Denis Johnson, o filme dirigido por Clint Bentley, é daqueles que parecem nascer já carregados de uma tristeza bonita. Ele se move entre o íntimo e o vasto sem esforço aparente, como se a vida de um único homem pudesse conter, ao mesmo tempo, o silêncio das pequenas perdas e a grandeza de tudo o que muda ao redor dele.
A história se constrói a partir de fragmentos — lembranças que só ganham peso quando vistas de longe — e acompanha Robert Grainier, interpretado por Joel Edgerton, desde a infância até seus últimos anos. Um órfão de voz baixa, sem saber de onde veio, que cresce trabalhando como lenhador e ferroviário no início do século passado. Acompanhamos sua vida enquanto o país se transforma, enquanto o mundo se expande, enquanto ele tenta encontrar algum sentido em meio a tudo isso.
Apesar da amplitude histórica, o filme se concentra nos dias repetidos de trabalho duro no noroeste do Pacífico. A câmera encontra beleza em detalhes que poderiam passar despercebidos: a névoa que se arrasta pela mata, o trem que corta a noite como um animal de ferro, os encontros breves com outros trabalhadores que deixam pequenas lições que Robert carrega consigo. Há algo de profundamente humano nesses instantes, como se cada pessoa que cruza seu caminho deixasse uma marca discreta, mas que perduraria indefinidamente.
É nesse cenário que ele conhece Gladys, vivida por Felicity Jones. O relacionamento dos dois é mostrado em pequenos recortes — momentos que, juntos, formam um retrato de afeto simples e sincero. Enquanto Edgerton revela um homem que encontra alegria até nos detalhes mais discretos — como a forma como a parceira pronuncia seu nome — Jones constrói Gladys com precisão.
Ao contrário de obras que se perdem em devaneios, “Sonhos de Trem” mantém um fio narrativo firme, guiado pela narração de Will Patton, que dá um tom de lembrança contada ao pé da fogueira — simples, direta, carregada de saudade.
Edgerton entrega uma atuação marcada por silêncios. Ele interpreta um homem que sente mais do que consegue dizer, alguém que guarda dentro de si tanto a luz quanto o peso do que viveu. O filme acompanha esse homem enquanto ele tenta lidar com perdas, memórias que insistem em voltar, perguntas que nunca encontram resposta.
No fim, “Sonhos de Trem” é um filme sobre pessoas que tentam seguir adiante mesmo quando o mundo parece grande demais, duro demais, rápido demais. Há uma melancolia constante, mas também um carinho profundo pelo que ainda resta de bom. Bentley filma tudo isso com delicadeza, como se dissesse que, apesar de tudo, ainda vale a pena continuar caminhando — ou, quem sabe, pegar o próximo trem.















