The Rose: Come Back To Me (por Peter P. Douglas)

The Rose: Come Back To Me (2025), longa-metragem documental sul-coreano, distribuído pela Sato Company, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir de 14 de fevereiro de 2026, com classificação indicativa 12 anos e 96 minutos de duração.

A obra acompanha a trajetória da banda The Rose, desde suas origens modestas na Coreia do Sul até o momento em que consolidam um sucesso que parecia improvável no início. Embora muitos documentários musicais sigam uma estrutura previsível — jovens desajustados que se encontram, formam uma banda, enfrentam conflitos internos e quase se separam antes de um renascimento triunfal — o diretor Eugene Yi consegue transformar essa narrativa em algo envolvente, conciso e emocional.

A abertura, com imagens ao vivo do Festival de Coachella 2024 (Califórnia/EUA) ao som de “Come Back To Me”, já coloca o espectador dentro da energia de um show, antes de retornar ao início da história na Coreia do Sul. Como a banda surgiu na era dos smartphones, o material de arquivo não tem o distanciamento típico de documentários tradicionais; tudo parece íntimo, caseiro, como se tivesse sido gravado pelo próprio público.

A formação da banda remonta a 2015, em Hongdae, quando Leo e Jeff se conheceram tocando na rua e, pouco depois, Leo encontrou Dylan em um estúdio de ensaio. Todos estavam presos a programas de treinamento musical rígidos, comuns na Coreia, mas que os sufocavam criativamente. O trio começou a tocar nas ruas até que Sammy, californiano e finalista do programa “K-Pop Star”, cruzou o caminho deles após ser assediado por diversas agências. A conexão foi imediata, e assim nasceu o The Rose.

Depois de formados, os quatro passaram a viver juntos, ensaiando, compondo e convivendo intensamente. As entrevistas individuais revelam uma sintonia impressionante, com os membros recontando as mesmas histórias quase palavra por palavra. O contrato com a gravadora J&Star Company, assinado em 2016, trouxe entusiasmo inicial, mas rapidamente se transformou em frustração quando a banda enfrentou resistência da empresa para lançar “Sorry” como single de estreia — uma balada soft rock que destoava do padrão pop animado esperado no K-pop. A franqueza com que relatam esses conflitos expõe um lado pouco discutido da indústria do entretenimento internacional.

A pandemia de 2020 interrompeu abruptamente o crescimento da banda, agravando tensões legais com a J&Star e levando Leo, Dylan e Jeff a cumprirem o serviço militar, enquanto Sammy retornou aos Estados Unidos. Essa fase do documentário inclui depoimentos sobre saúde mental, vulnerabilidade e desamparo que são apresentados com honestidade, o que gera estranheza, especialmente considerando o estigma ainda presente em comunidades asiáticas.

É nesse momento que o filme evidencia o verdadeiro diferencial do The Rose — a amizade genuína entre os membros, que ultrapassa a lógica comercial de muitas bandas formadas por agências. O reencontro após esse período difícil é emocionante e revela a semente do conceito do próximo álbum: “curar juntos”.

Revigorados, os quatro mergulham na criação de novas músicas, e Yi destaca a habilidade e versatilidade de cada integrante, reforçando o quanto são talentosos e dedicados. O documentário acompanha essa retomada até o Coachella 2024 e o show esgotado no Kia Forum, marcando o retorno triunfal da banda ao cenário global.

A equipe responsável pelo documentário não apenas contou uma história, mas criou uma conversa íntima com o espectador. A narrativa é clara, envolvente e conduzida por personagens carismáticos e autênticos. “The Rose: Come Back to Me” é uma obra acessível tanto para fãs quanto para quem nunca ouviu falar da banda.

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