Diretor israelense critica Estado em “Yes” que chega aos cinemas em 12 de fevereiro

Nadav Lapid combina sátira política, humor corrosivo e uma comédia romântica explosiva

Dirigido por um dos cineastas mais provocadores do cinema contemporâneo, “Yes” marca o novo e contundente trabalho do israelense Nadav Lapid, conhecido por obras que confrontam os mecanismos de poder, identidade nacional e violência institucional em seu próprio país. O filme estreia em 12 de fevereiro nos cinemas, após trajetória de destaque no circuito internacional.

Exibido na Quinzena dos Realizadores do Festival de Cannes e indicado a Melhor Filme pela tradicional revista Cahiers du Cinéma“Yes” também integrou o line-up do Festival do Rio 2025, inclusive com a vinda do próprio diretor ao Brasil, que participou de sessões no Reserva Cultural Niterói, Cinesystem Botafogo e Cine Odeon.

Em “Yes”, o protagonista Y., um músico de jazz em decadência, e Jasmine, sua esposa dançarina, sobrevivem oferecendo sua arte — e seus corpos — a quem estiver disposto a pagar. Quando despertam o interesse de figuras influentes, passam a se apresentar para a elite do país. Mas tudo muda quando Y. recebe uma proposta irrecusável: compor o novo hino nacional em troca de uma quantia impensável. Dizer “sim” sempre foi parte do jogo, mas o preço do sucesso pode ser a própria consciência.

Nadav Lapid constrói uma alegoria perturbadora sobre o lugar do artista em sociedades marcadas pelo autoritarismo e pelo militarismo, combinando sátira política, humor corrosivo e uma comédia romântica explosiva, em que o afeto é constantemente atravessado por negociação, desejo, raiva e oportunismo. O riso, aqui, nunca é confortável: ele surge do absurdo, da tensão e do colapso entre o íntimo e o ideológico.

Ariel Bronz: um corpo em conflito

No papel principal de Y., Ariel Bronz entrega uma performance intensa e visceral. Considerado um dos artistas mais controversos de Israel, Bronz já foi interrogado, preso e recebeu ameaças de morte.

Com uma carreira extensa no teatro, o ator já percorreu países como Alemanha, Egito, Canadá, Brasil e Rússia, acumulando prêmios e reconhecimento crítico — entre eles, o Prêmio Rosenblum de 2018, mesmo não tendo reconhecimento do Ministro da Cultura da época, sendo rotulado como um “símbolo de calúnia” pelo político.

Um filme urgente para o presente

Lançado em um momento geopolítico de extrema tensão no Oriente MédioYes ganha uma relevância ainda maior. Além disso, mais do que um retrato de Israel, “Yes” dialoga com qualquer sociedade em que artistas, intelectuais e cidadãos sejam pressionados a dizer “sim” em troca de pertencimento, segurança ou sucesso.

“Yes” estreia em 12 de fevereiro nos cinemas brasileiros.  Um filme incômodo, necessário e profundamente atual.

Assista ao trailer


Créditos das imagens: Divulgação / Assessoria de Imprensa / Distribuidora.
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