
Yes (Ken, 2025), longa-metragem israelense de drama, distribuído pela Imovision, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir de 12 de fevereiro de 2026, com classificação indicativa 16 anos e 152 minutos de duração.
O novo filme de Nadav Lapid, é uma obra que aposta no confronto direto com o espectador. O longa reforça a reputação do diretor como um dos nomes mais provocadores do cinema israelense. Lapid, apresenta aqui um trabalho que certamente despertará reações intensas, tanto em Israel quanto fora dele.
Ambientado em Tel Aviv após os ataques de 7 de outubro de 2023, o filme funciona como um desabafo artístico. Lapid canaliza suas inquietações sobre o país natal em uma narrativa que também dialoga com um episódio real: a polêmica regravação da canção “Hareut” por um grupo ativista, que ganhou repercussão quando crianças evacuadas próximo da fronteira, celebraram a destruição em Gaza.
Dividido em três capítulos, “Yes” acompanha Y (Ariel Bronz), um músico que vive com a parceira Yasmine (Efrat Dor) e o filho pequeno. Eles circulam entre a elite local, e o filme abre com uma sequência de festa marcada por energia frenética. Em seguida, o casal participa de um ménage com uma mulher mais velha, e depois surge em uma festa em um barco, onde excessos e hedonismo se misturam ao noticiário da guerra. Nesse contexto, Y recebe a encomenda de compor uma música, o que começa a tensionar ainda mais sua relação com Yasmine.
Lapid não hesita em levar o filme ao surrealismo. Em determinado momento, Y é atingido por pedras como se estivesse em uma cena bíblica; em outro, ele e três oficiais lambem as botas uns dos outros. O simbolismo é direto, e o diretor não tenta suavizá-lo. Sua crítica ao conflito e aos responsáveis por ele é clara.
Ainda assim, o filme por vezes se apoia em imagens e situações tão extremas que acabam enfraquecendo parte do discurso. O comportamento de Y, em especial, pode afastar o público da reflexão que Lapid pretende provocar. Por outro lado, momentos como o longo monólogo sobre o massacre de 7 de outubro demonstram a força emocional que o diretor é capaz de alcançar.
Lapid continua sendo um cineasta de grande vitalidade e inteligência, mas em “Yes” sua abordagem oscila entre a contundência e o excesso. Há potência, há intenção, mas também momentos em que a obra parece falar mais alto do que necessário, diluindo parte de seu impacto.















