
Quarto do Pânico (Panic Room, 2025), longa-metragem nacional de suspense dramático, estreia, oficialmente, no streaming do Telecine, a partir de 13 de fevereiro de 2026, com classificação indicativa 16 anos e 97 minutos de duração.
Refilmar um sucesso estrangeiro já é, por si só, um atalho perigoso. Fazer isso duas décadas depois, sem atualizar nada de relevante, é quase um pedido formal para ser comparado — e perder. “Quarto do Pânico”, de Gabriela Amaral Almeida, abraça essa estratégia desgastada com entusiasmo, como se o público brasileiro estivesse implorando por uma cópia tardia de um filme de 2002.
A adaptação troca meia dúzia de detalhes e tenta inflar a protagonista com um trauma inicial — Mari perde o marido num assalto — mas nada disso sustenta a narrativa. Em tempo recorde, ela compra uma mansão cheia de câmeras e um quarto blindado, como se segurança fosse um conceito abstrato. Na primeira noite, claro, três criminosos invadem a casa. E o que deveria ser um jogo de gato e rato vira um desfile de decisões tão estúpidas que fariam roteiristas de filmes B corarem.
Gabriela Amaral Almeida (O Animal Cordial, 2017), parece aqui em modo piloto automático. A cena de abertura, que deveria estabelecer o tom, é filmada com uma hesitação que beira o amadorismo. Em vez de encarar a violência de frente, o filme se esconde atrás de efeitos visuais para “representar” o trauma — um recurso repetido até a exaustão.
A construção dos personagens é inexistente. Não entendemos por que Mari compra um imóvel que obviamente é bem vulnerável, ou como a morte do marido afetou ela e sua filha. A casa, que deveria ser um personagem central, é tão mal apresentada que o espectador passa metade do filme tentando entender a planta do lugar. Fincher, no original, fez um tour elegante pela residência; aqui, parece que a equipe descobriu o cenário no mesmo dia das filmagens.
E, no fim, sobra a pergunta inevitável: por quê? Por que refilmar um thriller que já tinha envelhecido razoavelmente bem, sem trazer nada novo, sem atualizar nada, sem ousar nada? A resposta parece ser a mais triste possível: porque é fácil. Porque é seguro. Porque alguém achou que bastava trocar o idioma e pronto. O resultado é um filme que não honra o original e não se sustenta sozinho.















