
Living The Land (Sheng Xi Zhi Di, 2025), longa-metragem chinês de drama, distribuído pela Autoral Filmes, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir de 05 de fevereiro de 2026, com classificação indicativa 12 anos e 135 minutos de duração.
Dirigido por Huo Meng, o filme se passa em 1991, mas, salvo por referências pontuais à Guerra do Golfo e à chegada da televisão em cores, poderia situar-se facilmente décadas antes. Ambientada em uma vila isolada no interior da China, a obra apresenta um retrato detalhado de tradições antigas ainda presentes no cotidiano, ao mesmo tempo em que expõe os efeitos do controle estatal sobre a população. Para Huo, que revisita um período imediatamente anterior a um salto tecnológico decisivo no país, esses costumes aparecem menos como heranças valiosas e mais como vestígios de um passado marcado por limitações e rigidez.
A produção adota uma estrutura fragmentada, reunindo episódios que ilustram rituais e costumes locais, do luto às celebrações, com forte inspiração documental. É com o personagem Xu Chuang, interpretado por Wang Shang, um garoto de dez anos enviado para viver com parentes enquanto os pais buscam oportunidades em Shenzhen, que acompanhamos o desenrolar da história, especialmente durante a longa sequência de funeral, que funciona como porta de entrada tanto para os membros da família extensa quanto para os rituais que definem a vida naquela comunidade.
A obra também destaca como o poder local — alinhado às diretrizes autoritárias do regime — favorece alguns e oprime outros. Mulheres são obrigadas a abortar ou a casar contra a vontade, enquanto pessoas com deficiência intelectual, como Li Jihau (Zhou Haotian), enfrentam hostilidade e incompreensão. Huo não suaviza a violência presente nessas situações, mas a registra com uma câmera que adota um distanciamento quase voyer. Há momentos de delicadeza no retrato da vida doméstica, que fogem de uma narrativa convencional de amadurecimento e buscam algo mais amplo.
Apesar da qualidade técnica e das boas atuações, “Living The Land” não convence totalmente. A produção se encaixa no perfil de obras chinesas frequentemente vistas em festivais: ritmo lento, olhar atento para questões sociais e críticas moderadas ao sistema. Huo demonstra domínio formal, mas não apresenta elementos realmente inovadores. A diferença entre observar a terra e senti-la, sugerida no título, sintetiza bem essa distância entre intenção e impacto.
















