
Monarcas – O Conto das Borboletas (Butterfly Tale – Ein Abenteuer Liegt in Der Luft, 2023), longa-metragem canadense de animação, distribuído pela Cinecolor do Brasil, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir de 22 de janeiro de 2026, com classificação indicativa Livre e 88 minutos de duração.
Nova animação em longa-metragem que acompanha um grupo de borboletas-monarca. Quando somos apresentados a elas, o bando está prestes a iniciar sua tradicional migração de inverno rumo ao México. A viagem, porém, é repleta de riscos: no ano anterior, uma das mentes mais brilhantes e estratégicas dessa comunidade (sim, borboletas também pensam em táticas) acabou devorada por um pássaro enquanto defendia o grupo. Agora, doze meses depois, todos se preparam para enfrentar novamente o trajeto desafiador — todos, exceto Marty, a única lagarta que ainda não completou sua metamorfose, e Patrick, uma jovem borboleta que ainda não domina o voo. Dessa forma, os líderes do bando concluem que o mais sensato seria que Mardy e Patrick não participassem da migração.
O pai de Patrick era quem havia sido morto na jornada anterior, o que gerou um trauma tão profundo que levou a mãe de nosso protagonista a proibir sua travessia até Meixo, no México — especialmente agora que ela, a mais habilidosa voadora do grupo, será a responsável por conduzir o bando. No entanto, quando Patrick e Mardy decidem se esconder em um trailer carregado de algodão‑de‑seda, puxado pela dedicada Jennifer (uma borboleta com medo de altura), uma aventura começa!
Sob a direção de Jean-François Pouliot e Sophie Roy, a animação se revela, no fim das contas, uma história que ilustra a importância da inclusão de um jeito acessível e significativo para o público jovem. Mesmo sem conseguirem voar, Patrick e Mardy encontram formas valiosas de contribuir. Patrick, por exemplo, ajuda Jennifer a enfrentar seu medo de altura — um desafio nada simples para alguém cuja vida depende de voar longas distâncias. E quando os mesmos pássaros que devoraram seu pai descobrem a rota de fuga, é Patrick quem desempenha um papel decisivo na criação de um novo plano. A mensagem central do filme é clara: embora cada borboleta tenha habilidades diferentes, uma comunidade só floresce quando todos têm espaço para participar.
Outro tema encontrado no filme é a conservação ambiental. À medida que o bando avança em sua migração, as borboletas percebem que a erva‑leiteira — essencial para sua sobrevivência — está cada vez mais escassa. Seu antigo refúgio, antes repleto da planta, foi completamente asfaltado para dar lugar a uma enorme loja de departamentos, o que leva uma borboleta a observar, com ironia: “Sabe como são os humanos, vivem espalhando caixas por aí”. A narrativa reforça, de forma delicada, como as escolhas humanas afetam inúmeras criaturas pequenas e deslumbrantes, incluindo aquelas borboletas que tantas crianças observam com encanto.
Embora, “Monarcas – O Conto das Borboletas” apresente de forma competente e sensível seus temas de inclusão e conservação, a qualidade visual não acompanha o mesmo nível de impacto. A coprodução entre Canadá e Alemanha resulta em uma animação que, em diversos momentos, parece pouco profunda, sem o brilho e o realismo encontrados em produções de outros estúdios. Ainda assim, para quem procura uma aventura animada repleta de emoção e carregada de uma mensagem inspiradora, o filme continua sendo uma ótima opção.















