Maya, Me Dê Um Título (por Peter P. Douglas)

Alguns dizem que ter filhos finalmente força as pessoas a amadurecerem – mas não segundo Michel Gondry. Em seu novo filme “Maya, Me Dê Um Título” (Maya, Donne-Moi un Titre AKA Maya, Give Me a Title, 2024), ele pede à própria filha que faça exatamente isso: dê a ele um título para uma nova história e uma nova aventura. Ele se encarregará do resto, sem problemas, uma maravilha em stop-motion de cada vez. 

Como era de se esperar, todos são insanos. Gondry tem um estilo inimitável e um senso de humor peculiar; claramente, não pode ser modificado, nem mesmo para um filme mais infantil. Seu último trabalho é como uma história para dormir, mas com elementos suficientemente insanos para garantir que ninguém consiga dormir tão cedo. Há cavalos cortados ao meio – e que, no entanto, estão perfeitamente bem com isso –, esquilos roubando redes e aviões construídos, entre outras coisas, com uma gaveta com meias penduradas para fora. É muita coisa.

Por outro lado, sempre há muita coisa no mundo peculiar de Gondry, e depois de um tempo, você nem percebe mais a loucura. “Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças” (2004) foi construído em torno de um procedimento médico muito estranho para apagar memórias dolorosas, mas ainda é mais lembrado como uma história de amor emocionante. “Rebobine, Por Favor” (2008) é uma celebração da amizade, mesmo com Jack Black coberto de papel alumínio, numa espécie de remake de “Os Caça-Fantasmas”. Este filme apresenta uma trama inteira sobre batatas fritas gigantes salvando mares cobertos de ketchup, mas é sobre família. Sobre um pai e uma filha que vivem em países diferentes e não podem se ver todos os dias, então encontram outra maneira de se comunicar.

Funciona, mas não dá para parar o tempo. Maya está crescendo (ou encolhendo depois de um infeliz acidente com conservas). Ela está mudando, e quando de repente anuncia que cansou da brincadeira, você sente a dor do pai dela: “Sem mais desenhos animados? O que vou fazer da minha vida?” É a única vez em que Gondry se coloca em primeiro lugar em uma dessas histórias, vagando pelas ruas, oferecendo desesperadamente suas habilidades a completos estranhos. Felizmente, a pausa não dura muito — logo Maya volta a ser sua protagonista. Mas é impossível não perceber que isso não vai durar para sempre.

Gondry permite que a obra seja pessoal, com sua família fazendo várias aparições presenciais (em carne e osso, não em desenho). É o filme deles, e a linguagem secreta deles, mas é fácil imaginar outros pais, e outras Mayas, curtindo essas histórias e talvez criando as suas próprias mais tarde. Por que não criariam, se tudo o que você precisa é um título?

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