
Estreou em, 10 de janeiro de 2026, no Teatro Renaissance, em São Paulo, o espetáculo teatral “Baixa Sociedade” que apresenta a rotina de Otávio, um homem que não se conforma com sua situação econômica e utiliza a criatividade para bolar planos de ascensão social.
No palco, Luiz Fernando Guimarães dá vida a esse protagonista que, do interior de um apartamento modesto, projeta esquemas que envolvem mentiras e invenções para mudar de patamar. Ele conta com a participação, por vezes involuntária, do filho Otavinho, interpretado por Bruno Gissoni, que precisa lidar com as ambições do pai enquanto busca tocar sua própria vida.
Escrita por Juca de Oliveira, a direção fica a cargo de Pedro Neschling, conhecido por montagens como “O Livro dos Itens do Amor” e “A Estreia”. Nesta produção, ele se volta para uma comédia de costumes que foca nas relações familiares e nos desejos de prestígio.
O conflito ganha corpo com Ritinha, papel de Bruna Trindade, que planeja se casar com Otavinho. Entretanto, o retorno de Ana Maria, vivida por Isabella Santoni, antiga namorada do rapaz, e milionária, desestabiliza a convivência e os planos de Otávio.
Luiz Fernando Guimarães utiliza seu conhecido tempo de comédia (50 anos de carreira) para dominar a cena. Ele entrega um personagem que oscila entre a malandragem e um otimismo quase infantil, remetendo ao estilo de humor que o consagrou na televisão brasileira. Bruno Gissoni atua como o contraponto necessário, trazendo um tom mais equilibrado que ressalta o absurdo das propostas do pai. Isabella Santoni e Bruna Trindade cumprem bem seus papéis, servindo como os polos que disputam o futuro de Otavinho e, consequentemente, o destino dos projetos de Otávio.
Importante ressaltar, a qualidade das participações especiais que, mesmo aparecendo somente em vídeo – como é o caso de Miguel Falabela que interpreta o pai de Caio (noivo de Ana Maria) e Marcelo Serrado (tio de Ana Maria) – conseguem arrancar risadas do público.
Todos os acontecimentos ocorrem, durante os 70 minutos de duração da peça, dentro do apartamento de Otávio e Otavinho. A montagem se sustenta no texto e no entrosamento dos atores, evitando grandes aparatos técnicos. O foco permanece nos diálogos e nas situações geradas pela vontade de Otávio de ludibriar o sistema para alcançar o sucesso. É uma peça que busca o riso por meio da identificação com as dificuldades financeiras e as aspirações de classe.
O resultado é um entretenimento que funciona pela fluidez do elenco e pela elaboração de um protagonista que se recusa a aceitar a mediocridade, transformando o cotidiano em um tabuleiro de apostas arriscadas. Peça leve, divertida e ágil mas que, devido a seu conteúdo, pode não agradar aos mais sensiveis e politicamente corretos.
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