
O Castigo (El Castigo, 2022), longa-metragem dramático chileno, distribuído pela Filmes do Estação, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir de 11 de dezembro de 2025, com classificação indicativa 12 anos e 86 minutos de duração.
Dirigido por Matías Bize, o filme mergulha nas falhas, impulsos e arrependimentos que moldam relações familiares. Aborda a maternidade sob uma perspectiva pouco explorada: a de mulheres que não desejavam esse papel, mas que, ainda assim, precisam lidar com ele — e com o peso emocional que isso acarreta.
O cinema costuma retratar a maternidade de duas maneiras. A primeira é a visão tradicional, que reconhece as dificuldades, mas termina exaltando a experiência como algo recompensador. A segunda, mais rara e perturbadora, investiga o lado humano e conflituoso de mulheres que não se identificam com o ideal materno. “O Castigo” se insere nessa segunda linha.
Filmado inteiramente em plano‑sequência, o longa começa sem rodeios: Ana (Antonia Zegers) e Mateo (Néstor Cantillana) dirigem tensos por uma estrada. Ele insiste para que ela volte, e ela, contrariada, obedece. Aos poucos, o espectador descobre que o casal abandonou o filho de sete anos no meio da estrada — e que esse ato desencadeará uma ruptura irreversível em suas vidas.
A atuação de Antonia Zegers é o grande destaque. Seu desempenho combina silêncio, tensão e um monólogo final devastador, revelando uma mulher que vive um conflito profundo entre seus desejos e o papel que lhe foi imposto. Para Ana, a maternidade não é realização, mas sufocamento — uma perda de si mesma. O filme expõe como a sociedade exige perfeição das mães, reforçando expectativas impossíveis que recaem principalmente sobre elas.
Mesmo sem cortes, o filme mantém controle e precisão impressionantes. Embora alguns trechos se estendam mais do que o necessário, a narrativa conduz o público por uma jornada emocional intensa, marcada por silêncios, ruídos e revelações dolorosas. Bize não julga sua protagonista — e o espectador também não deve fazê‑lo. O objetivo é observar, com empatia, uma crise familiar que jamais voltará ao que era.
No fim, “O Castigo” é sobre decisões difíceis — tomadas por medo, impulso ou para agradar alguém — e sobre as consequências que podem durar para sempre. É um filme que provoca reflexão sobre maternidade, relacionamentos e os pesos que carregamos ao longo da vida.















