
Família de Aluguel (Rental Family, 2025), longa-metragem estadunidense dramático, distribuído pela Walt Disney Studios, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir de 08 de janeiro de 2026, com classificação indicativa 12 anos e 110 minutos de duração.
É difícil não simpatizar com Brendan Fraser. Aos 56 anos, ele consolidou seu retorno com o Oscar por “A Baleia” (2022) — um filme que, pessoalmente, nunca me conquistou por completo, embora a entrega dele ao papel fosse inegável. Foi aquele tipo de vitória que deixa você satisfeito simplesmente porque aconteceu com a pessoa certa.
Agora, Fraser volta ao centro da narrativa em “Família de Aluguel”, drama açucarado, dirigido e coescrito por Hikari (que comandou episódios da série “Treta”, da Netflix). A proposta tem tudo para agradar o público geral, mas, tropeça justamente por acreditar que é mais profundo do que realmente é.
Fraser vive Phillip, um ator americano em declínio que mora no Japão há quase dez anos. Ele domina o idioma, absorveu os costumes locais e ainda tenta capitalizar a fama momentânea de um comercial bizarro de pasta de dente, no qual interpretava um super-herói combatendo gengivite. O motivo de ele continuar em um lugar que não lhe oferece grandes perspectivas nunca fica claro, mas sua vida muda quando surge a chance de trabalhar na Rental Family, uma empresa especializada em criar relações e lembranças artificiais.
A primeira experiência de Phillip no novo emprego envolve um funeral encenado, no qual o “morto” levanta do caixão — uma das raras cenas realmente engraçadas. Por ser o único estrangeiro da equipe, ele vira uma espécie de trunfo exótico. Ele aceita o trabalho mais por necessidade do que por convicção.
A trama se complica ainda mais quando Phillip é contratado para interpretar o pai de Mia (Shannon Gorman), uma menina birracial cuja mãe acredita que essa farsa ajudará a filha a entrar em uma escola de elite. Em vez de simplesmente contratar Phillip para a entrevista, a mãe insiste que ele desenvolva um vínculo emocional com a garota para tornar a mentira mais convincente. Nada como manipulação afetiva para demonstrar “bons valores familiares”. Curiosamente, uma subtrama envolvendo um ator idoso com Alzheimer é muito mais rica e sensível do que a narrativa principal.
O que pode incomodar é que Hikari não se aprofunda nas implicações éticas desse tipo de serviço. Os atores da Rental Family são humilhados, até agredidos, e o filme trata isso como detalhe. Em vez disso, aposta em um tom leve e confortável, como se a boa intenção fosse suficiente para justificar tudo. Para muitos espectadores, isso pode funcionar no momento — mas basta pensar um pouco mais para perceber o quão perturbadoras essas situações realmente podem ser.
Apesar disso, Fraser continua carismático, humano e envolvente. É ótimo vê-lo novamente como protagonista. Vale uma conferida ainda que, fique a sensação de que o filme poderia encarar suas próprias questões com mais coragem.















