
Vizinhos Bárbaros (Les Barbares AKA Meet The Barbarians, 2025), longa-metragem francês de comédia dramática, distribuído pela Synapse Distribution, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir de 25 de dezembro de 2025, com classificação indicativa 14 anos e 111 minutos de duração.
Julie Delpy retorna ao cinema, como diretora e atriz, em “Vizinhos Bárbaros”, que se passa em uma pequena vila da Bretanha, onde a chegada inesperada de uma família síria de refugiados – no lugar de uma ucraniana – desencadeia tensões, fofocas e reações diversas entre os moradores.
O filme acompanha como diferentes personagens lidam com a presença dos recém-chegados, expondo preconceitos, solidariedades e contradições de uma comunidade aparentemente tranquila. A presença da equipe de TV regional, que registra o processo de integração, reforça a sensação de que tudo está sob observação e julgamento coletivo.
Delpy interpreta Joëlle, uma professora que vê na chegada dos refugiados uma missão humanitária. Ao seu lado, Sandrine Kiberlain dá vida a Anne, amiga de infância de Joëlle e esposa de um comerciante local vivido por Mathieu Demy. Laurent Lafitte encarna Hervé, o encanador que se mostra resistente à decisão da prefeitura, enquanto Jean-Charles Clichet interpreta o prefeito que tenta justificar a mudança inesperada na nacionalidade dos refugiados. O núcleo sírio é formado por Ziad Bakri como Marwan, arquiteto; Dalia Naous como Luna, sua esposa designer; Rita Hayek como Alma, médica que perdeu uma perna; Fares Helou como Hassan, o patriarca; além das crianças Dina e Waël.
Ao assistir o longa, a pergunta “O que significa racismo?” encontra em Julie Delpy uma resposta carregada de humor e inteligência. A diretora aborda um tema sério sob a forma de uma comédia de vila, estruturada em cinco atos — “Bem-vindo a Paimpont”, “1 Euro e Ditadura”, “Nossa Casa”, “Destruído” e “Alma e Alma”. O filme navega habilmente entre seus diversos personagens (todos muito bem interpretados), e mantém o tom satírico sempre próximo do realismo. Essa escolha permite expor as tragédias da estupidez humana sem precisar de um tom excessivamente ácido.
Apesar de divertido em muitos momentos, “Vizinhos Bárbaros” carrega uma mensagem inquietante sobre a pequenez de certos indivíduos que confundem princípios com ressentimentos pessoais. Ainda assim, o olhar otimista e engajado da obra abre espaço para a esperança: como sugere a personagem vivida pela própria Delpy, resta acreditar — e melhor ainda se for com bom humor — que a convivência pode dar certo e que “o mundo pode ser melhor”.















