
3 Atos de Moisés (2025), longa-metragem documental nacional, distribuído pela Pipa Pictures, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir do dia 04 de dezembro de 2025, com classificação indicativa 10 anos e 73 minutos de duração.
O filme dirigido por Eduardo Boccaletti acompanha a vida de Moisés Mattos, músico autodidata que cresceu em Juiz de Fora e aprendeu piano desenhando teclas em um banco de madeira. A obra se divide em três momentos: a infância marcada por limitações materiais, a formação e carreira na Alemanha, e o retorno ao Brasil para um concerto diante dos pais. Essa estrutura dá ao público uma linha clara de evolução, sem necessidade de revelar detalhes que comprometam a experiência de quem ainda vai assistir.
Boccaletti estreia no longa-metragem após trabalhos em curtas premiados como “Bijupirá” (2025). Sua direção aqui demonstra segurança ao lidar com uma história que poderia facilmente cair em sentimentalismo, mas que ganha força ao se apoiar em registros de concertos, entrevistas e cenas cotidianas. O documentário nasceu de uma parceria com a produtora Carolina Pernisa e contou com financiamento coletivo, o que reforça o caráter artesanal do projeto.
O elenco é formado essencialmente por pessoas reais que orbitam a vida de Moisés. O protagonista é mostrado em diferentes fases, desde o jovem que treinava em silêncio até o artista reconhecido em salas europeias. Professores, familiares e colegas aparecem como testemunhas de sua jornada. Entre eles, destaca-se André Pires, professor que ajudou a lapidar o talento do pianista ainda na adolescência. Há também registros de encontros com nomes consagrados, como Martha Argerich, que ampliam a dimensão internacional de sua carreira.
O documentário se beneficia da própria música como fio condutor. Trechos de recitais e composições de Moisés são usados para marcar transições e dar ritmo à narrativa. O movimento constante — seja nas caminhadas do jovem até as aulas em Juiz de Fora ou nos deslocamentos de trem na Alemanha — funciona como metáfora para uma vida que nunca parou de buscar novos horizontes.
No geral, “3 Atos de Moisés” é uma produção que consegue equilibrar a força da história pessoal com a universalidade da música. Boccaletti entrega um filme que emociona sem cair em sentimentalismo fácil, e que valoriza tanto o talento quanto a determinação de seu protagonista. É uma estreia promissora para o diretor e um retrato digno de um artista que transformou obstáculos em concertos lotados na Europa e no Brasil.















