
Circus (O Circo AKA Tsirk), dirigido por Grigoriy Aleksandrov, é uma obra, produzida em 1936, em que o circo se torna algo muito maior que um palco de acrobacias, ao combinar espetáculo circense, música e propaganda política, transformando um enredo melodramático em vitrine ideológica da antiga União Soviética (URSS).
A trama acompanha Marion Dixon, artista americana que foge de seu país, ao ser perseguida por uma multidão, após dar à luz a um bebê. Esse ponto inicial já estabelece um contraste entre o ambiente hostil dos Estados Unidos e a promessa de acolhimento oferecida pela URSS.
Aleksandrov utiliza o circo como metáfora de integração, um espaço onde diferentes nacionalidades e culturas se encontram sob um mesmo teto. O vilão, Franz von Kneishitz, inspirado em Hitler, reforça a oposição entre regimes, funcionando como caricatura da ameaça fascista à época.
O filme se constrói em torno de números musicais e coreografias grandiosas, com destaque para a canção “Shiroka Strana Moya Rodnaya” (“Minha Pátria é Vasta”), que se tornou hino popular soviético. A música não é apenas entretenimento, mas ferramenta de propaganda, exaltando a grandeza territorial e a união dos povos.
Lyubov Orlova, estrela do cinema soviético e esposa de Aleksandrov, interpreta Dixon combinando glamour e tristeza, tornando sua trajetória de fuga e reencontro com a felicidade um símbolo da promessa soviética de igualdade.
O desfecho, em que o bebê é apresentado ao público do circo e recebido com carinho por artistas de diferentes etnias, funciona como afirmação explícita contra o racismo. Essa cena é central para compreender o papel do cinema como instrumento pedagógico e político: a URSS se colocava como alternativa ao preconceito e à violência racial presentes no Ocidente.
Dixon, encontrando amor e aceitação em Moscou, simboliza a integração do indivíduo ao projeto nacional soviético, reforçando a ideia de que felicidade só é possível dentro da estrutura estatal socialista do país.















