Predador – Terras Selvagens (por Peter P. Douglas)

Predador – Terras Selvagens (Predator – Badlands, 2024), longa-metragem estadunidense de ação, drama e comédia, distribuído pela The Walt Disney Company, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir do dia 06 de novembro de 2025, com classificação indicativa 16 anos e 100 minutos de duração, mudando o eixo da franquia ao colocar um jovem Yautja como protagonista, deslocando o foco da caça para a sobrevivência.

Dek (Dimitrius Schuster-Koloamatangi), o personagem central, é rejeitado por seu clã por não se encaixar nos padrões esperados. Sem saída, é obrigado a partir para um planeta hostil em busca de redenção. Acompanhado por Thia, uma androide danificada interpretada por Elle Fanning, ele enfrenta criaturas alienígenas e situações que testam seus limites. A relação entre os dois é construída com base em trocas práticas, sem grandes discursos ou sentimentalismos. O filme não se interessa em reforçar vínculos afetivos, mas sim em mostrar como dois seres diferentes (e depois mais) podem cooperar diante de ameaças comuns.

A direção de Dan Trachtenberg aposta em cenas de ação corpo a corpo, com destaque para confrontos físicos que exigem mais do que armas tecnológicas. A trilha sonora e os efeitos sonoros funcionam como suporte para a tensão, sem se sobrepor ao que está em cena. O design das criaturas é variado e o CGI é bem empregado.

O roteiro evita repetir fórmulas dos filmes anteriores. Ao invés de humanos sendo caçados, o foco está em um predador que precisa provar seu valor. Essa inversão pode causar estranhamento em quem espera o formato tradicional da franquia. Há quem veja isso como renovação, mas também há quem sinta falta da estrutura mais conhecida. A presença da Weyland-Yutani Corporation, já familiar no universo de Alien, insere o filme em um contexto compartilhado, mas sem aprofundar essa conexão.

O ritmo alterna entre sequências de ação e momentos de deslocamento. Não há grandes reviravoltas, mas há uma cena final que sugere continuidade, abrindo espaço para novos conflitos, sem entregar detalhes. Essa escolha mantém o interesse para possíveis desdobramentos, sem encerrar tudo de forma definitiva.

“Predador – Terras Selvagens” funciona melhor para quem já conhece a franquia e está disposto a aceitar mudanças. Quem busca um filme de ação mais direto pode se frustrar com a abordagem. A proposta é menos sobre caçar e mais sobre resistir. E isso muda bastante o tom do que se espera de um título com o nome “Predador”.

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