Lar (por Peter P. Douglas)

Lar (2025), longa-metragem documental nacional, distribuído pela Embaúba Filmes, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir do dia 13 de novembro de 2025, com classificação indicativa 12 anos e 76 minutos de duração.

Leandro Wenceslau, propõe um mergulho nas múltiplas formas de amar e cuidar que definem o que é família hoje. O diretor escolhe como ponto de partida o ponto de vista dos filhos e filhas de três famílias LGBTIAPN+, e esse foco na prole se revela o grande acerto do filme, ao mesmo tempo em que apresenta sua maior limitação.

Por um lado, a obra consegue construir um mosaico delicado de experiências que fogem ao modelo familiar mais difundido. Ao expor o dia a dia desses lares, o filme revela como o afeto e o respeito mútuo são os verdadeiros alicerces, superando as barreiras impostas pela sociedade.

Há uma riqueza de detalhes no modo como o cotidiano é filmado, capturando as conversas sobre reconhecimento legal, a dor da discriminação em ambientes como a escola, mas também a alegria simples da convivência. Não se tenta esconder as fissuras, as dúvidas ou os conflitos que fazem parte de qualquer unidade familiar.

No entanto, a jornada do próprio Wenceslau, entrelaçada às histórias que ele registra, às vezes parece dispersar um pouco a atenção do espectador. O filme revisita lembranças de infância e a busca do diretor por um lugar no mundo, e embora essa inclusão pretenda transformar o projeto em algo mais pessoal, essa fusão entre a busca do realizador e as vivências das famílias observadas nem sempre se integra de maneira orgânica. Há momentos em que o filme parece hesitar entre ser um retrato coletivo de resistência e uma reflexão particular sobre pertencimento.

O trabalho de Wenceslau funciona de forma mais plena quando se dedica à observação da rotina e da luta dessas famílias por legitimidade. Ao fim, fica a sensação de que o filme é um importante e terno registro das novas configurações familiares, mas que a inclusão do percurso pessoal do diretor, mesmo sendo de coração aberto, acaba por diluir levemente o foco das narrativas coletivas que o estruturam.

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