
Doente de Mim Mesma (Syk Pike AKA Sick of Myself, 2022), em seus 97 minutos de duração, é um mergulho ácido e debochado no narcisismo moderno, conduzido com precisão pelo diretor Kristoffer Borgli.
Signe, interpretada por Kristine Kujath Thorp, é o tipo de personagem que parece ter saído de uma conversa sobre tudo que há de mais irritante nas redes sociais. Ela quer atenção. Quer ser vista. E quando seu namorado artista começa a ganhar notoriedade roubando cadeiras e chamando isso de arte, ela decide que precisa fazer algo mais drástico. A escolha? Um remédio ilegal que causa uma doença de pele rara. A partir daí, o filme se transforma em uma espiral de autossabotagem e autopromoção, onde cada ferida vira um troféu.
O que chama atenção é como o roteiro não tenta justificar o comportamento dela. Não há trauma escondido, não há redenção. Signe é assim porque quer ser. E isso torna tudo ainda mais incômodo — e, paradoxalmente, engraçado. Há momentos em que o absurdo beira o grotesco, como quando ela joga o notebook pela janela ou quando fantasia com sua própria fama em talk shows. Mas o riso vem, muitas vezes, com um gosto amargo.
Borgli parece mais interessado em escancarar o ridículo. E faz isso com uma precisão cruel, quase como se estivesse dissecando um comportamento coletivo por meio de uma caricatura individual.
O humor é seco, quase britânico, e os diálogos são carregados de ironia. Há uma cena em que Signe, coberta de feridas, exige que o namorado pergunte de novo como ela está — não porque ele se importe, mas porque ela quer ouvir. É esse tipo de detalhe que transforma o filme em algo mais do que uma comédia de mau gosto.
No fim, “Doente de Mim Mesma” não tenta ser agradável. Ele se diverte com o absurdo, com a vaidade, com a necessidade de ser especial a qualquer custo. E talvez o mais perturbador seja perceber que, em algum nível, a gente entende a Signe. Não porque faríamos o mesmo, mas porque vivemos cercados por versões menos extremas dela todos os dias.















