
Novembro (Noviembre, 2025), longa-metragem dramático, coprodução Colômbia, Brasil, México e Noruega, exibido durante a 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (2025), distribuído pela Vulcana Cinema, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir do dia 30 de outubro de 2025, com classificação indicativa 14 anos e 78 minutos de duração.
Dirigido e roteirizado por Tomás Corredor, o filme se passa durante a tomada do Palácio da Justiça em Bogotá, em 1985, quando o grupo guerrilheiro M-19 invadiu o prédio e manteve juízes e civis como reféns.
A escolha de Corredor foi concentrar a ação em um banheiro, onde parte dos reféns está confinada. A câmera se mantém próxima, com planos curtos e tremores que sugerem tensão. Há uma tentativa de criar uma sensação de claustrofobia, mas o efeito se dilui com o tempo, especialmente quando as cenas começam a se repetir em tom e ritmo.
A personagem central é Clara Helena, codinome Mona, interpretada por Natalia Reyes. Ela é uma guerrilheira que parece não saber o que fazer diante do caos. A atuação é contida, mas o roteiro não dá muito espaço para que ela se desenvolva. Há momentos em que Mona tenta se comunicar com os reféns, mas essas trocas não avançam. O filme parece querer mostrar o conflito interno da personagem, mas não há elementos suficientes para que isso se sustente.
A direção alterna imagens ficcionais com trechos de arquivo, como vídeos do exército colombiano cercando o prédio. Essa alternância funciona em alguns momentos, mas em outros parece apenas uma tentativa de preencher tempo. A ausência de trilha sonora até certo ponto reforça o tom documental, mas quando a música entra, quebra o ritmo que vinha sendo construído. Há também cartelas finais com informações sobre os envolvidos, mas elas não esclarecem muito e deixam a impressão de que o filme queria dizer mais do que conseguiu.
O longa se aproxima de um curta estendido. A estrutura não sustenta o tempo de duração, e os personagens não ganham profundidade. A proposta de mostrar o evento sem heróis ou vilões é válida, mas o resultado é um conjunto de cenas que não se conectam com clareza. A tentativa de recriar o impacto do ataque se perde em diálogos truncados e em uma montagem que não favorece a progressão.
Ainda assim, há mérito na escolha de abordar um episódio pouco conhecido fora da Colômbia. A tomada do Palácio da Justiça é um marco na história latino-americana, e trazer isso para o cinema é um gesto importante. Mas “Novembro” parece mais preocupado em manter uma atmosfera do que em construir uma reflexão. O que fica é uma sensação de que algo foi dito, mas não se sabe exatamente o quê.










