
O Último Beat (The Beat Bomb, 2022), longa-metragem documental, coprodução Argentina e Itália, exibido durante a 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (2025), com classificação indicativa 14 anos e 90 minutos de duração.
O documentário se desenvolve a partir de um encontro, em 2007, entre o diretor Ferdinando Vicentini Orgnani e Lawrence Ferlinghetti (1919-2021), poeta, editor e figura central da geração beat. O filme se organiza como um conjunto de registros, lembranças e conversas que se cruzam ao longo de mais de uma década.
A estrutura é feita de fragmentos que vão de Roma na Itália à São Francisco nos Estados Unidos, com passagens por eventos, leituras, entrevistas e encontros informais. Ferlinghetti aparece como alguém que ainda dirigia aos 90 anos, que mantinha seu escritório ativo e que continuava a escrever e pintar. Há também registros de celebrações, como uma reunião nas montanhas italianas, onde amigos se encontram para lembrar do poeta.
O documentário inclui trechos de espetáculos realizados na Itália com artistas como Michele Placido e Giorgio Albertazzi, além de depoimentos de pessoas que conviveram com Ferlinghetti ou que foram influenciadas por ele. Joanna Cassidy, por exemplo, fala sobre a livraria City Lights e sobre o impacto da geração beat. O filme também recupera imagens raras e entrevistas que ajudam a compor um retrato mais amplo do poeta.
A montagem se aproxima mais de um caderno de anotações, com trechos que se sobrepõem e se alternam. Isso permite que o espectador entre em contato com diferentes aspectos da vida e da obra de Ferlinghetti, sem que o filme precise definir o que é mais importante. Há espaço para poesia, política, amizade e memória.
“O Último Beat” se apresenta como um percurso pessoal, feito de encontros e descobertas. O título faz referência à ideia de que a geração beat lançou uma espécie de bomba contra o sistema, e Ferlinghetti aparece como alguém que manteve essa postura até o fim. O filme não busca conclusões, mas compartilha momentos que ajudam a entender por que ele continua sendo lembrado.















