Nova ’78 (por Peter P. Douglas)

Nova ‘78 (2025), longa-metragem documental do Reino Unido e Portugal, exibido durante a 49ª Mostra Internacional de Cinema em São Paulo (2025), com classificação indicativa 14 anos e 80 minutos de duração.

“Nova ’78” é um mergulho em um evento que reuniu artistas, pensadores e músicos em Nova York para homenagear o retorno de William S. Burroughs. O filme usa registros feitos por Howard Brookner e sua equipe, que ficaram perdidos/guardados por décadas, até serem restaurados pelos diretores Aaron Brookner e Rodrigo Areias.

O documentário mostra os bastidores e os momentos públicos da Nova Convention, que aconteceu em 1978 no Entermedia Theater. O que se vê é uma mistura de debates, leituras, apresentações e encontros que refletem um período em que a experimentação era bem-vinda.

Nomes como Patti Smith, Frank Zappa, Laurie Anderson, Philip Glass, John Cage, Allen Ginsberg e Timothy Leary aparecem em cena, cada um trazendo sua forma de expressão. Há também conversas sobre política, como a situação no Irã antes da revolução e discussões sobre direitos civis.

O filme não tenta organizar tudo em uma linha do tempo ou em uma explicação única. Ele se mantém próximo do que foi registrado, com cortes que respeitam o ritmo dos acontecimentos. Há momentos em que o público parece tão parte do evento quanto os artistas no palco. A ausência de Keith Richards, que havia sido anunciado, é resolvida com naturalidade por Patti Smith, que oferece reembolso aos presentes, mas ninguém aceita.

A escolha de manter o estilo original de filmagem, com uma mistura de observação e registro direto, ajuda a manter o foco no que estava acontecendo ali. Não há tentativas de atualizar ou reinterpretar o que foi dito. O filme mostra o que foi possível recuperar, sem tentar preencher lacunas com entrevistas atuais ou reflexões externas.

“Nova ’78” funciona como uma cápsula do tempo. Para quem se interessa por cultura alternativa (contracultura), por encontros improváveis e por registros históricos que escapam do formato tradicional, é uma oportunidade de ver como diferentes vozes se cruzaram em um mesmo espaço.

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