Tron 3: Ares (por Casal Doug Kelly)

Tron: Ares (2025), longa-metragem estadunidense de ação e ficção científica, distribuído pela Walt Disney Company, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir do dia 09 de outubro de 2025, com classificação indicativa 12 anos e 118 minutos de duração.

“Tron: Ares” é um retorno inesperado a um universo que parecia ter sido deixado para trás. O filme não tenta reinventar a roda, mas se apoia em uma narrativa que mistura ficção científica com dilemas sobre identidade e controle.

Ares, interpretado por Jared Leto, é uma inteligência artificial criada por um magnata da tecnologia que quer transformar programas em armas. A trama gira em torno da busca por um código capaz de permitir que essas entidades digitais existam “permanentemente” no mundo físico, o que coloca em movimento uma perseguição entre programas e humanos.

O filme tem uma pegada que lembra, claramente, outras histórias já vistas, com um personagem que começa como ferramenta e aos poucos passa a questionar sua função. Leto entrega uma atuação mais contida do que o habitual, o que funciona bem para o papel. Evan Peters aparece como o vilão, com uma performance que não tenta ser simpática, e Greta Lee dá vida à cientista que tenta impedir o avanço da ameaça.

O diretor Joachim Rønning não tenta deixar sua marca de forma evidente. Ele conduz a história com foco nos personagens e nas ações, sem se perder em floreios. O roteiro toca em temas como livre arbítrio e o medo crescente de que inteligências artificiais ultrapassem os limites do que consideramos seguro. Há uma reflexão sobre o que acontece quando essas criações começam a agir por conta própria, e sobre o que isso diz sobre quem as criou.

As cenas de ação são bem distribuídas e mantêm o ritmo. O filme não se perde em excesso de efeitos ou reviravoltas. Ele segue uma linha clara, com conflitos que fazem sentido dentro do proposto. Não é um filme que tenta agradar a todos, mas também não se fecha em si mesmo. Ele reconhece o legado da franquia e tenta expandi-lo sem perder o foco.

Se alguém esperava uma revolução, talvez se decepcione. Mas quem entra na sala querendo ver uma história de ficção científica com personagens que têm objetivos definidos e conflitos que se desenvolvem com consistência, vai encontrar um filme que cumpre o que promete. E para os apressadinhos, é recomendável ficar para cena pós-crédito que, para o público que assistiu os longas antecessores, vai dizer muito sobre o que vem por aí.

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