
Tron: O Legado (Tron: Legacy, 2010), dirigido por Joseph Kosinski, parte de uma ideia simples e a transforma em algo que tenta ser grandioso. A trama gira em torno de Sam Flynn (Garrett Hedlund), um jovem que entra num mundo digital criado por seu pai décadas antes. Esse universo, chamado de Grid, é repleto de regras próprias, personagens artificiais e conflitos que refletem dilemas humanos, mesmo que tudo aconteça dentro de um sistema virtual.
O filme se apoia bastante na estética futurista e na trilha sonora do Daft Punk. Há uma tentativa clara de criar uma experiência imersiva, com cenários e efeitos que remetem a uma realidade paralela, onde tudo é regido por lógica computacional. O ritmo alterna entre momentos de ação e diálogos que tentam dar profundidade à relação entre pai e filho, além de explorar a ideia de perfeição e controle.
Kevin Flynn, interpretado por Jeff Bridges, é uma figura que carrega o peso de suas escolhas. Ele criou Clu, um programa que deveria ajudá-lo a organizar o Grid, mas que acabou se tornando uma ameaça. Essa relação entre criador e criatura é central, e o filme tenta explorar as consequências de se buscar algo ideal num ambiente que, por definição, é artificial.
Quorra (Olivia Wilde), a personagem que ajuda Sam, representa uma espécie de esperança dentro daquele mundo. Ela é curiosa, ágil e tem uma conexão especial com Flynn. A dinâmica entre os três personagens principais tenta equilibrar ação com reflexões sobre legado, responsabilidade e o impacto da tecnologia na vida das pessoas.
Apesar de ser uma continuação de um filme lançado quase trinta anos antes, “Tron: O Legado” não exige, necessariamente, que o espectador conheça o original para entender o enredo (ainda que isso ajude). Ele se apresenta como uma história independente, com seus próprios conflitos e resoluções. O final deixa espaço para interpretações, mas também encerra o arco de forma clara, com Sam assumindo um novo papel e Quorra conhecendo o mundo real pela primeira vez.
É um filme que tenta unir espetáculo com narrativa, e embora nem sempre consiga manter esse equilíbrio, há momentos em que isso funciona. Ele não se limita a ser apenas uma sequência, mas tenta expandir o universo de Tron com novas ideias e personagens.















