Tron 1 – Uma Odisseia Eletrônica (por Peter P. Douglas)

Escrito e dirigido por Steven Lisberger, “Tron: Uma Odisseia Eletrônica” surge durante um momento de transição cinematográfica, sendo uma tentativa ousada para a época de seu lançamento. Em 1982, a ideia de se ver dentro de um sistema computadorizado parecia uma coisa distante, e o longa se aproveita disso para criar um universo próprio.

Kevin Flynn, interpretado por Jeff Bridges, é um programador que quer provar que os jogos que criou foram roubados por um alto executivo da empresa onde trabalhava. Com ajuda de outros funcionários, ele tenta acessar os arquivos criptografados, mas acaba sendo transportado para dentro do sistema por um programa chamado Master Control (que domina e elimina outros programas que obedecem a seus usuários). Neste universo, conhece Tron (Bruce Boxleitner), um programa que luta contra tudo que Master Control acredita. Juntos, enfrentam desafios que lembram arenas de competição, com direito a batalhas de disco, corridas em motos de luz e diálogos que tentam (ou não) explicar como tudo funciona.

Importante frisar que, Tron, o programa que dá nome ao filme, é criado pelo personagem de Alan Bradley. Essa escolha de título pode causar confusão, já que Flynn é o protagonista, mas Tron é quem representa a resistência contra o controle central.

O filme mistura ação e aventura com ficção científica, mas o que chama atenção é o modo como tenta representar o mundo digital. Os efeitos foram feitos com técnicas que estavam começando a ser exploradas, e mesmo com as limitações da época, alcançou um excelente resultado. A equipe usou animação retroiluminada e imagens geradas por computador, o que era raro em produções daquele período. Isso deu ao filme uma aparência diferente, com cores marcantes e formas geométricas que lembram jogos de fliperama.

O filme não tenta ser muito complexo. Ele apresenta seu universo e se apoia na curiosidade do público sobre tecnologia. O ritmo varia, com momentos mais acelerados e outros mais lentos devido aos diálogos explicativos. A trilha sonora de Wendy Carlos ajuda a criar uma atmosfera eletrônica que combina bem com as cenas. O elenco entrega o que é necessário, com Bridges brincando e trazendo carisma ao personagem principal e David Warner assumindo o papel do antagonista tanto no mundo real quanto no digital, o que ajuda a manter uma ligação entre os dois lados da história.

“Tron: Uma Odisseia Eletrônica” não foi um sucesso imediato (talvez por utilizar uma linguagem que mistura termos técnicos para um público pouco familiarizado com informática na década de 80), mas com o tempo ganhou reconhecimento por ter tentado algo diferente. Ele abriu espaço para outras produções que viriam a explorar mundos virtuais, além de ter influenciado jogos, séries e até parques temáticos. É um filme que olhou para o futuro, mesmo sem saber exatamente o que estava por vir.

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