Moda fitness se consolida como símbolo de status silencioso em um setor que cresce 15% ao ano e já movimenta bilhões no país

er tempo, e não apenas dinheiro, tornou-se o verdadeiro símbolo de status da vida moderna. A análise é da stylist Márcia Jorge, que identifica no athleisure, estilo que mistura roupas esportivas e casuais, a tradução visual desse novo luxo. “O verdadeiro símbolo de status da modernidade não é mais a bolsa de grife ou o relógio mais caro do mercado. É algo muito mais sutil e poderoso: ter tempo”, afirma.
No Brasil, essa transformação cultural está sustentada por números expressivos. Dados da Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) apontam que o mercado de moda fitness cresce em média 15% ao ano desde 2020, movimentando cerca de R$ 8 bilhões em 2023. O desempenho supera a média da indústria de confecção como um todo, que faturou R$ 203,9 bilhões no ano passado, com projeção de alcançar R$ 215 bilhões em 2024.
Esse dinamismo acompanha uma tendência global de expansão do athleisure. Estimativas internacionais indicam que o setor, avaliado em US$ 358 bilhões em 2023, pode atingir entre US$ 662 bilhões e US$ 1 trilhão até a próxima década, com crescimento anual próximo a 10%. A consolidação do segmento tem atraído gigantes como Lululemon, Adidas Originals, Nike e Alo Yoga, esta última recém-chegada ao mercado brasileiro com loja no shopping JK Iguatemi, em São Paulo.
O fenômeno ganhou força durante a pandemia, quando o trabalho remoto dissolveu as fronteiras entre roupas de casa, exercício e compromissos sociais. O consumo de peças de alta performance, com tecidos tecnológicos e design sofisticado, passou a refletir mais do que conforto: virou símbolo de disciplina, bem-estar e liberdade temporal.
Na prática, vestir uma legging premium em um café ou um tênis esportivo de grife em uma reunião corporativa tornou-se uma forma discreta de comunicar estilo de vida. A ostentação, antes marcada por logos e acessórios de alto valor, hoje se traduz no chamado “luxo silencioso”: qualidade, durabilidade e ausência de excessos. “Quando todo mundo está usando a mesma silhueta, a mesma cartela de cores e os mesmos acessórios, é natural que o olhar para o local se perca. E isso empobrece não só a moda, mas a memória cultural de um povo”, ressalta Márcia Jorge.
O setor, no entanto, não está livre de desafios. A Abit aponta que o déficit na balança comercial têxtil continua elevado, e os custos de produção pressionam as margens, mesmo com o consumo em expansão. Ainda assim, a indústria nacional busca alternativas por meio de programas de inovação e competitividade, em especial diante do acordo Mercosul–União Europeia.
Com perspectivas otimistas, o mercado de athleisure se firma como protagonista da moda contemporânea. Mais do que roupas, o segmento vende narrativas de autonomia e bem-estar, em um contexto em que tempo livre se transformou na moeda mais cobiçada, e na forma mais sofisticada de ostentação.


Sobre Marcia Jorge
Marcia Jorge é stylist, figurinista e consultora de marca pessoal com uma trajetória marcante no mercado da moda desde 1998. Psicóloga de formação, uniu sua expertise em imagem e comportamento para transformar o ato de vestir em uma poderosa ferramenta de autoconfiança e expressão pessoal.
Reconhecida por seu olhar apurado e curadoria minuciosa, assinou figurinos para grandes campanhas publicitárias e editoriais de moda no Brasil e no exterior. Já atendeu marcas como Grupo Boticário, Avon, Romanel, Ibramed, Amanco, Coca-Cola e Porto Seguro, além de atuar por muitos anos em estúdios fotográficos como responsável pela construção de imagens de impacto.
Foi colunista de moda do Portal Terra e colaboradora de diversos veículos de comunicação, com aparições recorrentes no programa “Mais Você”, com Ana Maria Braga. Sua abordagem vai além da estética. Márcia acredita que a moda deve ser leve, libertadora e acessível, ajudando pessoas a se reconectarem com sua identidade e bem-estar. Para mais informações, acesse o instagram e também pelo site oficial.
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