Os Roses: Até Que A Morte os Separe (por Casal Doug Kelly)

Os Roses: Até Que A Morte os Separe (The Roses, 2025), longa-metragem estadunidense de comédia dramática, distribuído pela Searchlight Pictures, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir do dia 28 de agosto de 2025, com classificação indicativa 14 anos e 100 minutos de duração. Remake do filme “A Guerra dos Roses” (The War of the Roses, 1989), que foi baseado no romance homônimo, publicado em 1981, por Warren Adler.

Trata-se de um daqueles filmes que não tem medo de se jogar no exagero emocional e na comédia ácida para contar uma história de guerra conjugal. Dirigido por Jay Roach e com roteiro de Tony McNamara, ele é uma releitura moderna do livro “A Guerra dos Roses”, adaptado pela primeira vez em 1989, e que tinha no elenco Michael Douglas, Kathleen Turner e Danny Devito (este último, também responsável por dirigi-lo).

A nova versão, assim como seu antecessor, já começa com uma excelente qualidade: o elenco é afiado. Benedict Cumberbatch e Olivia Colman interpretam Theo e Ivy, um casal aparentemente perfeito, com carreiras bem-sucedidas, filhos adoráveis e uma casa impecável. Mas por trás dessa fachada, o que existe é uma competição silenciosa, ressentimentos acumulados e uma tensão que só precisa de um empurrãozinho para explodir.

O filme constrói essa implosão doméstica com uma mistura de humor ácido e drama, sem tentar suavizar os momentos mais cruéis. A dinâmica entre Theo e Ivy dão espaço para que seus protagonistas entreguem performances que oscilam entre o cômico e o trágico com muita naturalidade. Olivia Colman consegue transformar pequenas reações em momentos de puro desconforto cómico, enquanto Cumberbatch exalando ironia, torna tudo ainda mais caótico.

O roteiro é cheio de diálogos cortantes e situações que beiram o absurdo, mas que funcionam justamente por serem levadas a sério pelos personagens. A direção de Roach não tenta reinventar o gênero, mas sabe exatamente como usar os elementos clássicos de uma comédia dramática para criar tensão e ritmo. Há uma elegância na forma como o filme alterna entre cenas de humor corrosivo e momentos de silêncio carregado, como se dissesse que o verdadeiro campo de batalha não é a sala de estar, mas o olhar atravessado durante o jantar (os convidados que o digam!).

Visualmente, o filme aposta em uma estética limpa e sofisticada. A trilha sonora de Theodore Shapiro acompanha bem a dualidade dos protagonistas, com composições que resgatam clássicos, oscilando entre o leve e o inquietante. E o elenco de apoio — com nomes como Andy Samberg, Kate McKinnon e Allison Janney — apresentam personagens que ajudam a quebrar a tensão e, proporcionam mais risos, nos momentos exatos.

“Os Roses: Até Que A Morte os Separe” não é apenas sobre um casamento em ruínas. É sobre como o orgulho, a vaidade e a necessidade de vencer podem transformar o amor em uma disputa sem vencedores. E mesmo sendo um remake, ele consegue encontrar um tom próprio, atualizando a história para um público que talvez veja no espelho mais do que gostaria.

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