Anônimo 2 (por Peter P. Douglas)

Anônimo 2 (Nobody 2, 2025), novo capítulo da franquia estadunidense de ação, chega oficialmente aos cinemas brasileiros em 21 de agosto de 2025, distribuído pela Universal Pictures, com 90 minutos de duração e classificação indicativa para maiores de 18 anos.

Trata-se de um filme que entende exatamente o que o público espera dele — e entrega com gosto. A sequência continua acompanhando Hutch Mansell, o pai de família com passado violento que, mais uma vez, tenta equilibrar sua vida doméstica com a compulsão por resolver tudo na base da porrada. Bob Odenkirk volta ao papel com a mesma energia contida e sarcástica que fez do primeiro filme, em 2021, um sucesso inesperado. Só que agora, a escala é maior, os vilões são mais caricatos, e a violência é ainda mais estilizada.

A história começa com Hutch tentando se reconectar com a família, levando todos para uma viagem num parque aquático nostálgico. Claro que não demora muito para tudo sair do controle. Um empurrão aqui, uma provocação ali, e Hutch já está de volta ao modo “máquina de destruição”. O filme não perde tempo tentando justificar demais — ele sabe que o público está ali para ver o caos, e o caos vem rápido.

O diretor Timo Tjahjanto imprime seu estilo com cenas de ação bem coreografadas, cheias de cortes secos e ritmo acelerado. Tem uma pegada quase cômica na forma como Hutch transforma objetos comuns em armas improvisadas, como se estivesse jogando um videogame em modo criativo. E mesmo quando a violência é absurda, o filme mantém um tom leve, quase debochado.

Sharon Stone entra como a vilã principal, e claramente está se divertindo com o papel. Ela exagera na medida certa, criando uma figura ameaçadora e teatral, que combina com o universo exagerado da franquia. Colin Hanks também aparece como um xerife corrupto, e ajuda a compor esse cenário onde ninguém parece realmente normal — nem mesmo os mocinhos.

O que torna “Anônimo 2” interessante é que, apesar de toda a pancadaria, ele ainda tenta manter um fio emocional. Hutch continua sendo um homem dividido, tentando proteger a família enquanto lida com um instinto que não consegue controlar. Ele não se redime, não muda, só continua tentando — e falhando — em ser alguém diferente.

No fim das contas, “Anônimo 2” é uma sequência que não tenta reinventar nada, mas aprofunda o que já funcionava. A ação é divertida, os personagens têm carisma, e o humor negro dá o tom certo para uma história que, no fundo, é sobre um homem que não sabe como viver em paz. E talvez nem queira.

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