Batalha na Linha de Frente (por Rafael Bellangero)

Rafael Bellangero

Eu, pessoalmente, sempre tive um peculiar interesse em assistir filmes ambientados em períodos de guerra. E existem ótimos exemplos que retratam esses tristes períodos da história da humanidade, como Cavalo de Guerra (2011), Dunkirk (2017), ou até mesmo a minissérie Band of Brothers (2001), entre outros. Por isso, quando surgiu a oportunidade de assistir ‘’Batalha na Linha de Frente’’, de 2022, me animei imediatamente, criando altas expectativas… talvez esse tenha sido o meu erro.

O longa se passa durante a Primeira Guerra Mundial, especificamente em agosto de 1918. Dois jovens que se voluntariaram ao exército francês para demonstrar coragem e força perante a sociedade, desembarcam na linha de frente da trincheira do norte da França contra a Alemanha. Com muitas baixas, com poucos recursos, sem reforços e com soldados cansados e com fome, esses dois rapazes precisam ajudar seu batalhão a resistir e manter posição a todo custo por três dias, no qual chegará reforço que, supostamente, mudará o futuro da guerra de uma vez por todas.

Por mais de ter uma premissa interessante, que explora desde a campanha governamental de ‘’heroicização’’ dos soldados, usada para recrutar novos combatentes, mesmo sabendo que provavelmente eles não vão voltar com vida, até os tristes bastidores da guerra, com as decisões difíceis de sacrificar batalhões, ao mesmo tempo que sofre a pressão de estar isolado numa batalha pela vida. Assim, existe um foco temático na coragem, no heroísmo, no medo, no sacrifício e, principalmente, na resiliência daqueles jovens que estavam enfrentando um ambiente hostil, isolados do resto do mundo, com o objetivo de proteger a sua nação, mesmo com a imensa pressão psicológica diante a todo o contexto brutal de uma guerra.

No entanto, a execução não acompanha a força da proposta. O roteiro não se aprofunda tanto nos personagens quanto poderia, a direção de arte é simplória e não contribui para a construção do universo que o filme exige e a decupagem busca resolver a principal limitação do filme – o baixo orçamento, mas ao fazer isso,  falha em entregar cenas e detalhes que eram necessários para a imersão do público.

Filmes de época demandam muita pesquisa e recursos para conseguir recriar as roupas, cenários e ambientes do período retratado de forma convincente. Ao mesmo tempo, por ser um filme de guerra, e mostrar o campo de batalha, exige uma sofisticação da edição de efeitos especiais e visuais que não acontece, ou seja, as explosões e disparos têm uma aparência datada dos anos 80/90, que não permite que o público dos dias de hoje, acostumado com as produções de guerra de alto padrão de Hollywood, aceite o visual que ‘’Batalha na Linha de Frente’’ tenta transmitir. Por conta dessas limitações de recursos, o diretor optou em realizar muitas cenas de combate com planos bem fechados em pequenos detalhes, que acaba quebrando a imersão com o que está acontecendo em cena, tirando a sensação de grandiosidade e da urgência da batalha.

Para resumir, o filme traz uma proposta narrativa relevante, mas a execução, limitada pelo orçamento, compromete tanto a narrativa, como a parte sonora e visual, impedindo que o filme alcance o seu potencial.

Filme: Batalha na Linha de Frente (Battle for the Western Front)

Ano: 2022

País: Canadá

Gênero: Guerra

Duração: 90 minutos

Direção: Aaron Huggett

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