
C.I.C. – Central de Inteligência Cearense (2025), longa-metragem nacional de comédia e ação, distribuído pela Paris Filmes, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir do dia 28 de agosto de 2025, com classificação indicativa 14 anos e 101 minutos de duração.
Comédia de ação brasileira que abraça o absurdo com orgulho. Dirigido por Halder Gomes, o filme acompanha Wanderley, codinome Agente Karkará, interpretado por Edmilson Filho, em uma missão internacional para recuperar uma fórmula ultrassecreta roubada por uma organização criminosa. A trama se desenrola entre Brasil, Argentina e Paraguai, com direito a piadas regionais, sotaques carregados e situações que beiram o surreal.
O tom é claramente inspirado em paródias como “Austin Powers” e “Corra que a Polícia Vem Aí”, mas com tempero cearense. A produção aposta em exageros visuais, trocadilhos e personagens caricatos para construir seu universo.
O problema é que, apesar da boa vontade, o filme nem sempre acerta o timing das piadas ou a fluidez da narrativa. Muitas cenas parecem funcionar melhor isoladamente do que como parte de uma história coesa.
O elenco é recheado de nomes conhecidos do humor e da televisão: além de Edmilson Filho, temos André Segatti como um vilão tribiônico com braços biônicos e visual à la Robocop, Alana Ferri como a espiã argentina Micaela, Gustavo Falcão como o agente paraguaio Romerito, e participações de Karla Karenina, Nill Marcondes, Monique Hortolani, Carri Costa e Tóia Ferraz. Cada um traz um estilo próprio, mas nem todos têm espaço suficiente para desenvolver seus personagens além da caricatura.
Visualmente, o filme é colorido e vibrante, com paisagens lindíssimas e efeitos especiais que variam entre o criativo e o tosco — o que, dependendo do público, pode ser parte do charme ou motivo de frustração. A direção de arte e a fotografia tentam acompanhar o ritmo frenético da comédia, mas o resultado é irregular.
Apesar de ter momentos engraçados e um espírito leve, não é um filme particularmente bom. A estrutura narrativa é frágil, o humor nem sempre funciona, e a tentativa de misturar ação com sátira política e regionalismo acaba gerando mais confusão do que risadas. Ainda assim, para quem gosta de comédias brasileiras escrachadas e está disposto a embarcar na loucura sem grandes expectativas, pode ser uma experiência divertida — mesmo que seja mais pelo caos do que pela qualidade.















