Uma Mulher Sem Filtro (por Peter P. Douglas)

Uma Mulher Sem Filtro (2025), longa-metragem nacional de comédia, distribuído pela H2O Films, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir do dia 21 de agosto de 2025, com classificação indicativa 14 anos e 92 minutos de duração.

O longa tenta ser uma comédia libertadora, mas acaba tropeçando nos próprios exageros. Dirigido por Arthur Fontes e escrito por Tati Bernardi, o filme parte de uma premissa promissora — uma mulher que, cansada de engolir sapos, passa a dizer tudo o que pensa sem censura — mas não consegue transformar isso em uma narrativa envolvente ou divertida de verdade.

A protagonista Bia, interpretada por Fabiula Nascimento, tem carisma e entrega bem o papel de uma mulher à beira do colapso emocional. O problema é que o roteiro se apoia demais em situações caricatas e diálogos que tentam ser ácidos, mas soam forçados. A comédia aqui não nasce do cotidiano, e sim de uma sucessão de cenas que parecem esquetes desconectadas, com piadas que nem sempre funcionam.

O filme é uma adaptação do chileno “Sin Filtro” (2016), que já teve versões em outros países. A ideia de trazer essa história para o contexto brasileiro é válida, mas a execução deixa a desejar. O humor, que deveria ser o motor da trama, oscila entre o escrachado e o constrangedor, sem encontrar um tom consistente. Há momentos em que o filme tenta ser emocional, mas logo abandona essa linha para voltar ao exagero cômico — e essa falta de equilíbrio prejudica a experiência.

O elenco de apoio, que inclui Camila Queiroz, Samuel de Assis, Emílio Dantas e Júlia Rabello, até tenta acompanhar o ritmo, mas os personagens são pouco desenvolvidos e servem mais como alvos das explosões de sinceridade de Bia do que como figuras com alguma profundidade. A direção de arte e a fotografia são competentes, e a trilha sonora de Ruben Feffer ajuda a manter o clima leve, mas isso não é suficiente para salvar o filme.

No fim das contas, “Uma Mulher Sem Filtro” parece mais interessado em provocar do que em construir uma boa comédia. Há quem vá rir das situações absurdas e das verdades ditas sem freio, mas para muitos, o filme vai parecer apenas uma sequência de gritos e constrangimentos, sem o charme ou a inteligência que a premissa prometia. É uma daquelas ideias que funcionam melhor no papel do que na tela.

Compartilhe