A Fundação Bienal de São Paulo inaugura o Cinema Bienal com a realização do 12º Festival Super OFF, que acontece em duas sessões especiais nos dias 13 e 14 de agosto de 2025, das 18h às 19h30, com entrada gratuita. Dedicado ao cinema em Super-8, o festival abre a programação do novo espaço de exibição da Fundação, reafirmando seu compromisso com a experimentação e o diálogo entre as linguagens contemporâneas.
Produzido de forma independente pelo coletivo Mundo em Foco, o Festival Super OFF é voltado à exibição de produções contemporâneas e ao resgate da memória da bitola Super-8 no Brasil, na América Latina e no mundo. A programação conta com filmes experimentais, documentais e ficcionais, realizados por cineastas, coletivos e participantes de oficinas de formação. O programa inclui ainda filmes realizados em oficinas em espaços como FAAP, Sesc Pompeia e Barco Estúdio, além de debates com realizadores ao final de cada noite.
O auditório do terceiro pavimento do Pavilhão Ciccillo Matarazzo, parte do projeto original de 1954, foi requalificado e transformado em uma sala de cinema por meio da Lei Paulo Gustavo, recebendo novos projetores, cortinas e isolamento acústico, abrindo novas possibilidades de articulação entre as artes visuais e o cinema.
Confira abaixo a programação e sinopse dos filmes:
13 ago, qua, 18h
Abertura 15’
Canoa de dentro, 4’
de Gustavo Infante e Letícia Rodrigues
Canoa de dentro é um ambiente ritualístico. Da repetição e simplicidade de imagens poéticas — o mar, o rio, o céu, o vento — avistadas da canoa (metáfora possível do corpo, da vida ou da entrega), conduzidas pela natureza e pelo tempo. A transição, um limiar, passagem de estado entre mundos: o da vida e o da morte, da vigília e do sonho, do controle e da rendição. Ampliando a percepção do eu em dissolução no mundo. A canoa é o principal símbolo: frágil, flutuante, está entre o humano e o natural. Ela representa tanto um veículo quanto o próprio corpo, um invólucro que se entrega, balança, vira. A canoa é um limiar entre estar e não estar mais — entre flutuar e afundar, entre vigília e sonho, entre o eu e o mundo.
Kodya, 4’
Rita Oyakanmi
Todos os dias o Sol emerge de e mergulha em Kalunga, em um movimento ininterrupto. Assim são os seres humanos, indo-e-vindo-ao-redor. Cada pessoa surge na linha do horizonte, cresce em direção a fazer sua própria história, desce ao mundo mais abaixo e grava em seu rolo da vida os acúmulos do Tempo. Não se nasce sem morrer e nascer não é o princípio. Viver é armazenar dados para o futuro.
MASSAI LANYOR, 8’
de Alex Brandão
Tell Me Why, 15’
de Roger Deutsch
Data: 18 de agosto, 2036. Após a erupção do supervulcão Monte Erasmus, na Holanda, a maior parte da Europa Ocidental tornou-se inabitável. Sou um dos sortudos que teve a oportunidade de correr com a lava até o Oceano Pacífico no Daorklis 2, o único trem ainda em movimento para o Extremo Oriente.
The Stones of Venice, 2’
de Camilo Valle
No clima do Super-8: as Pedras de Veneza. Um dia em Veneza com a modelo venezuelana Sarah Duque, seguindo as palavras enigmáticas de John Ruskin como inspiração: As mentes mais puras e reflexivas são aquelas que mais amam as cores.
Olho da Rua, 3’
de Rebeca Benchouchan
Filme documental que mostra o cotidiano das crianças na Vila de São Jorge, onde a brincadeira de rua ainda é comum.
Uma Estudante de Cinema Sonha em Conhecer Tiradentes, 3’
de Beatriz Henriques, Joana Bastos, Kelmer Maike e Paulo Junior
D’Águas, 3’
de Antibiko, Kaêu Esuna, Lele Camille, Mareua Sirè, Myka Santos, Nero Santos, Thainá Franklim e Ruby Máximo
D’Águas é um filme experimental gravado em Super-8 que acompanha a travessia silenciosa de uma figura ancestral por lugares no centro de São Paulo. D’Águas, personagem-título, emerge como uma entidade mítica e contemporânea, atravessando espaços onde antes corriam rios, agora soterrados pela cidade. Sem falas, mas guiado por uma trilha sonora original, o filme evoca memórias apagadas, forças ancestrais e uma resistência silenciosa que brota das profundezas da terra e da água. Uma fábula visual sobre apagamento, espiritualidade e permanência, D’Águas é um mergulho poético naquilo que ainda corre por baixo do concreto.
Oficina FAA: Cidade, 3’
de Flávia Cristina Ruggiero, Marcelo Paulin Gabriel, Vitória Barbieri Matiello, Mauricio DePaula, Natalia dos Santos Fernandes e João Batista Maia da Silva
Debate com realizadores, 30’
14 ago, qui, 18h
Abertura 15’
Caracóis, 4’
de Nestor Jr
Toda casca que criamos pode nos proteger, mas também nos aprisionar. O curta-metragem mostra os caminhos de um personagem em busca de si mesmo. Inspirado nas obras do artista visual e autor do filme – cuja poética revela uma contemplação sobre a natureza e as identidades individuais e coletivas –, o filme transita entre a introspecção e o redescobrimento da beleza humana ao evocar sentimentos de pertencimento queer e contexto homoerótico. Registrado em tomada única em Super-8.
Two Cancers, 3’
de Josh Weissbach
Dois cancerianos que são ao mesmo tempo iguais e diferentes.
Beijo sobre película, 4’
de Matheus Montanari
Em um beijo que ocorre somente sobre a película do filme, a língua passa de órgão da fala à tecnologia de produção de imagem. Entre a aproximação e a barreira, a câmera instável e fechada percorre um corpo isolado em uma película plástica cuja conexão com o exterior é apenas uma fina linha vermelha, o reflexo da boca e as marcas de um toque que não ultrapassa a própria epiderme. Ao mesmo tempo que busca inspiração na história da arte e do cinema, o filme se afasta de uma ideia histórica e representacional do beijo, transformando-o em uma operação poética.
Ocilatem, 4’
de Emilio López, Miguel Ángel González Mesa, Exequiel Vuoto, Isadora Falchi Machado, María Belén Gimenez, Artur Piramoura, Franco Porcile, Lara Koch e Leticia Benzi
Um jovem funcionário de escritório caminha para casa, mas cruza o caminho de Ocilatem, um demônio que enxerta pedaços de metal em suas vítimas, transformando-as em monstros incontroláveis.
Camera Roll 3 (2018-2022), 4’
de Charles Cadkin
A terceira iteração de um diário cinematográfico contínuo. Cinco anos e um rolo de filme condensados em três minutos e meio. O cineasta captura um período distinto de sua vida, vivendo e se mudando de Ithaca, Nova York, para Chicago, vivenciando e saindo da pandemia, reencontrando amigos e fazendo viagens de carro. O som foi capturado separadamente em um microgravador cassete entre 2019 e 2022.
As coisas que não são apreciadas em pequenos instantes, 3
de Kemelly Santos
As coisas que não são apreciadas em pequenos instantes, as coisas apreciadas, mudanças e a vida diária na vila de São Jorge, o olhar por fora.
Vênus Natureza, 3’
de Natália Vitral
Vênus natureza é um estudo da corporeidade gorda feminina em meio a metáforas visuais construídas em paralelo com as belezas naturais representadas por rochas e rios da Chapada dos Veadeiros.
Respiros, 4’
de Thaíse de Andrade Maia
Emily, 4’
de Lea Gomes, Douglas Luiz FC, Nanda Barros e Jor Izalberti
Emily é uma noiva que foi abandonada no altar e passa o restante de seus dias voltando para o mesmo local em busca de sua aliança perdida. O filme traz uma visão peculiar e poética sobre uma das lendas mais famosas da vila de Paranapiacaba.
Oficina Sesc Pompeia: Mãos, 3
Realização Coletiva
PEV, 3’
de Carlos Eduardo Santos, Diana Lima, Giuliana Caliri, Renata Cabaleiro e Thamys Trindade
Terra Maldita, 3’
de Ana Rita, daMata, Dani Portugal, David Moreira, Duda Chris, Isabela Loaf, Jade Puente, Marisa Tavares, Pedro Otávio, Ryan Alexander e Sasa Rodrigues
Oficina Brasília: Crianças, 4’
de Débora Sodré
Jaceguai 520, 4’
de Renato Pascoal e Ana Emery
Um mergulho no despertar da máquina cênica para mais um rito na Jaceguai 520.
Debate com realizadores, 30’
A Fundação Bienal de São Paulo agradece seu parceiro estratégico, Itaú, e seus patrocinadores máster: Bloomberg, Bradesco, Petrobras, Vale, Citi e Vivo.
Serviço
12º Festival Super OFF no Cinema Bienal
13 – 14 ago 2025
qua – qui, 18h – 19h30
Pavilhão Ciccillo Matarazzo
Parque Ibirapuera, portão 3
Acesso pela rampa externa
São Paulo, SP
entrada gratuita
Sobre o Festival Super OFF
Super OFF é um encontro de oficinas que geram filmes e, como celebração, um Festival anual dedicado ao formato Super 8, cujos eixos são o resgate histórico, a criação e a preservação. O Festival é realizado pelo Mundo em Foco, um coletivo de origem periférica que hackeia e difunde a cultura fotoquímica, conectando pessoas através da imagem.
Sobre a Fundação Bienal de São Paulo
Fundada em 1962, a Fundação Bienal de São Paulo é uma instituição privada sem fins lucrativos e vinculações político-partidárias ou religiosas, cujas ações visam democratizar o acesso à cultura e estimular o interesse pela criação artística. A Fundação realiza a cada dois anos a Bienal de São Paulo, a maior exposição do hemisfério Sul, com sua primeira edição apresentada em 1951, e suas mostras itinerantes por diversas cidades do Brasil e do exterior. A instituição é também guardiã de dois patrimônios artísticos e culturais da América Latina: um arquivo histórico de arte moderna e contemporânea referência na América Latina (Arquivo Histórico Wanda Svevo), e o Pavilhão Ciccillo Matarazzo, sede da Fundação, projetado por Oscar Niemeyer e tombado pelo Patrimônio Histórico. Também é responsabilidade da Fundação Bienal de São Paulo a tarefa de idealizar e produzir as representações brasileiras nas Bienais de Veneza de arte e arquitetura, prerrogativa que lhe foi conferida há décadas pelo Governo Federal em reconhecimento à excelência de suas contribuições à cultura do Brasil.
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