
A Única Sobrevivente (Odna AKA The One, 2022), longa-metragem dramático russo, estreia, oficialmente, no streaming Adrenalina Pura+, a partir do dia 07 de agosto de 2025, com classificação indicativa 14 anos e 108 minutos de duração.
O filme, dirigido por Dmitriy Suvorov, não precisa de exageros para ser impactante. Ele parte de uma história real — a inacreditável sobrevivência de Larisa Savitskaya, única passageira a escapar com vida de um acidente aéreo em 1981 — e transforma esse evento em uma narrativa que mistura drama e tensão.
O filme começa com Larisa e seu marido embarcando em um voo de volta da lua de mel. A atmosfera é leve, íntima, quase banal. Mas tudo muda quando o avião colide com um bombardeiro militar soviético e se despedaça a cinco mil metros de altitude. A sequência do desastre é brutal, mas não espetacularizada. O que vem depois é ainda mais impressionante: Larisa acorda sozinha, cercada por destroços, no meio da taiga. E é nesse silêncio que o filme encontra sua força.
Suvorov não transforma o filme em um drama de sobrevivência convencional. Ele prefere explorar o tempo, o espaço e o estado emocional da protagonista. A câmera se demora nos detalhes — o som do vento, o movimento das folhas, o corpo ferido tentando se mover. É uma abordagem contemplativa.
O filme não tem vilão. Não tem redenção fácil. Larisa não se transforma em uma guerreira. Ela sobrevive. E isso é mais assustador, porque sobreviver exige enfrentar o que há de mais sombrio em si mesmo. O medo de morrer. O medo de viver. O medo de estar sozinho.
A atuação de Nadezhda Kaleganova como Larisa não exige grandes gestos para transmitir o desespero, a dor e a determinação. A personagem não é heroína no sentido clássico — ela é humana, vulnerável, mas incrivelmente resiliente. E isso torna sua jornada ainda mais comovente.
Mesmo nos momentos em que a narrativa se aproxima do melodrama — como nas lembranças do marido ou nas cenas finais — não há manipulação emocional barata. O filme confia na força da história e na empatia do público.
No fim, “A Única Sobrevivente” é menos sobre o acidente e mais sobre o que vem depois: o silêncio, a espera, a luta para continuar. É um filme sobre resistência, sobre o corpo que não desiste, sobre a mente que se recusa a apagar. E é também um lembrete de que, às vezes, sobreviver é o ato mais extraordinário que alguém pode realizar.















