Uma Sexta-Feira Mais Louca Ainda (por Casal Doug Kelly)

Uma Sexta-Feira Mais Louca Ainda (Freakier Friday, 2025), longa-metragem estadunidense de comédia, distribuído pela The Walt Disney Company Brasil, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir do dia 07 de agosto de 2025, com classificação indicativa 10 anos e 110 minutos de duração.

“Uma Sexta-Feira Mais Louca Ainda” é aquele tipo de sequência que não tenta apenas repetir a fórmula do original — ela se propõe a expandi-la, atualizá-la e, de certo modo, amadurecê-la.

Vinte e dois anos depois do sucesso cult “Uma Sexta-Feira Muito Louca” (Freaky Friday, 2003), Lindsay Lohan e Jamie Lee Curtis retornam como Anna e Tess Coleman, agora em fases completamente diferentes da vida. E isso é justamente o que torna o filme tão interessante: ele não ignora o tempo, ele o abraça.

Anna agora é a mãe solteira de Harper (Julia Butters), – uma adolescente cheia de personalidade – e está prestes a se casar com Eric, pai de Lily (Sophia Hammons), uma garota britânica que não se dá nada bem com Harper. A tensão entre as futuras irmãs é o gatilho para o novo caos mágico: desta vez, não é apenas Tess e Anna que trocam de corpo, mas também Harper e Lily.

O filme brinca com essa “troca cruzada” para explorar não só os conflitos geracionais, mas também os desafios de formar uma família reconstituída — algo que muitas pessoas vão reconhecer como parte da vida real.

O roteiro, escrito por Jordan Weiss, acerta ao equilibrar comédia e emoção. Há momentos genuinamente engraçados, dos mais variados tipos, como as tentativas desastrosas de Harper no corpo da mãe tentando lidar com reuniões de trabalho de sua cliente Ella (Maitreyi Ramakrishnan), ou Tess tentando entender o universo adolescente atual. Mas também há espaço para sensibilidade: Anna, por exemplo, vive o dilema de ser mãe, profissional e mulher apaixonada, e Lohan (que aparece o tempo todo com semblante de felicidade) traz sinceridade ao papel, claramente influenciada por sua própria experiência recente com a maternidade.

Jamie Lee Curtis, por sua vez, continua sendo uma força cômica e emocional. Ela interpreta Tess com mais leveza, mas também com mais profundidade. A personagem agora é avó, e isso adiciona uma nova dinâmica familiar. Há uma cena particularmente bonita em que Tess, no corpo da neta-postiça (Lilly), percebe o quanto as inseguranças adolescentes ainda ocorrem nela mesma. É um momento que mostra como o filme não está apenas interessado em fazer rir — ele quer que a gente se reconheça ali.

A direção de Nisha Ganatra é eficiente e delicada. Ela sabe quando acelerar o ritmo para a comédia funcionar e quando desacelerar para deixar a emoção respirar. A estética do filme é vibrante, com cores vivas e uma trilha sonora que mistura nostalgia com pop atual, criando uma ponte entre gerações.

O elenco de apoio também brilha: Mark Harmon volta como Ryan; Chad Michael Murray retorna como Jake, interesse amoroso de Anna (… ou melhor, Tess); e o multifacetado Manny Jacinto surge com seu charme e humor interpretando Eric.

O que talvez mais impressione nesta sequência é que ela não se contenta em ser apenas uma continuação. É uma reflexão sobre o tempo, sobre como as relações mudam, sobre como crescemos e, ainda assim, continuamos lidando com os mesmos dilemas — só que com mais aspectos. É um filme que fala de empatia, escuta e reconexão. E faz isso com leveza, sem perder o coração.

Tanto a versão dublada quanto a legendada são muito divertidas, mas a legendada se destaca por preservar melhor a essência das piadas, que muitas vezes se perdem na dublagem.

No fim das contas, “Uma Sexta-Feira Mais Louca Ainda” é menos sobre magia e mais sobre humanidade. Nos lembrando que, às vezes, para entender alguém, é preciso literalmente andar nos sapatos dela — ou, neste caso, viver no corpo dela. E isso, por mais absurdo que pareça, continua sendo uma das metáforas mais eficazes do cinema para falar sobre amor, família e crescimento.

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