Juntos (por Casal Doug Kelly)

Juntos (Together, 2025), longa-metragem de terror, coproduzido por Canadá e Estados Unidos, distribuído pela Diamond Films, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir do dia 14 de agosto de 2025, com classificação indicativa 16 anos e 102 minutos de duração.

Filme que não se contenta em apenas contar uma história de horror — ele quer te fazer sentir cada fissura emocional e física que se abre entre seus protagonistas. Dirigido por Michael Shanks em sua estreia no comando de um longa, o filme é estrelado por Dave Franco e Alison Brie, casal na vida real, que utiliza essa conexão, em seus personagens, para explorar os limites do corpo e da identidade dentro de um relacionamento desgastado.

A trama começa com Tim e Millie se mudando para o interior, tentando recomeçar longe da vida urbana. Só que o que parecia ser uma tentativa de reconexão rapidamente se transforma em um pesadelo físico e psicológico. Após um encontro com “algo” em uma caverna, eles começam a se fundir — literalmente.

O filme não economiza nos efeitos práticos e visuais para mostrar essa transformação grotesca, mas o horror não está só na carne: está na ideia de perder a individualidade dentro de uma relação.

O roteiro é esperto ao evitar explicações excessivas sobre a origem da entidade ou da substância que causa a fusão. Shanks prefere deixar pistas e confiar na inteligência do público para preencher os espaços. Isso dá ao filme uma aura lovecraftiana, onde o desconhecido é mais perturbador do que qualquer monstro explícito. E mesmo nos momentos mais absurdos — como a dança ao som de “2 Become 1” das Spice Girls — há uma estranha melancolia que torna tudo ainda mais inquietante.

O filme também acerta ao não transformar Tim e Millie em caricaturas. Eles são falhos, sim, mas também são reconhecíveis. A dinâmica entre eles — ressentimentos silenciosos, afeto genuíno, dependência emocional — é construída com sutileza. E quando o horror se instala, ele amplifica essas tensões em vez de substituí-las.

O resultado é um filme que fala sobre amor, individualidade e o terror de se perder no outro, tudo isso com uma estética que remete aos melhores momentos de Cronenberg, mas com um toque mais emocional e menos clínico.

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