Gaiola Mental (por Peter P. Douglas)

No universo dos dramas policiais, “Gaiola Mental” (Mindcage, 2022), em seus 96 minutos de duração, se apropria de muitos clichês previsíveis. Um detetive veterano, Martin Lawrence, é assombrado por um caso antigo. Uma detetive novata e talentosa, interpretada por Melissa Roxburgh, busca provar seu valor. E um serial killer, “O Artista”, vivido por John Malkovich, oferece seus conselhos especializados à dupla. O filme parece ter sido montado de forma genérica, e o resultado é exatamente o que se espera.

A detetive Mary Kelly, a protagonista, provoca comparações com Clarice Starling (a agente do FBI vivida por Jodie Foster em 1991). No entanto, enquanto Starling era competente e resolvia o caso diante de nossos olhos, Kelly simplesmente recebe as pistas de mão beijada. A falta de investigação e o fato de o público estar sempre à frente da personagem prejudicam o mistério. O filme, ao nos mostrar apenas as consequências dos assassinatos, sem uma preparação adequada, elimina qualquer tensão, tornando-nos indiferentes às mortes.

Nenhuma das mortes que ocorre no filme realmente importa; elas servem apenas para avançar a trama. Não há tempo para que o público se importe com as vítimas ou suas situações. Aparentemente, os cineastas tentaram replicar a atmosfera da série “True Detective” ou do longa “O Silêncio dos Inocentes”, mas falharam em replicar suas sutilezas. Digno de menção, no entanto, é o diretor Mauro Borrelli, que cria um visual sombrio que faz o baixo orçamento parecer mais alto.

A atuação de Martin Lawrence parece ser sua resposta à de Chris Rock em “Espiral: O Legado de Jogos Mortais” (2021). É a única explicação plausível para sua participação. Lawrence age irritado e parece desmotivado. Ele demonstra muito mais energia em seu papel cômico na franquia “Bad Boys” do que em seu papel supostamente sério aqui. A expectativa de ver o que ele traria ao papel foi frustrada. Felizmente, temos Malkovich, que se diverte a cada cena.

A reviravolta no terceiro ato é uma das coisas mais ridículas e hilárias já vistas, questionando quem a considerou uma boa ideia. A reviravolta leva o filme de mediano a ruim, mas de um jeito que pode ser divertido se assistido com alguns amigos.

Em resumo, “Gaiola Mental” oferece algum prazer, mas não da forma que os cineastas pretendiam. Malkovich devora cada cena e se diverte visivelmente. No entanto, a diversão se limita a ele, já que o resto do filme é muito seco. O ato final, repleto de momentos absurdos, provoca mais revirar de olhos do que choque. Com Martin Lawrence parecendo desinteressado na maior parte do tempo, é difícil que o público se sinta de outra forma.

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