
Pacto da Viola (2024), longa-metragem brasileiro dramático, distribuído pela Olho de Gato Filmes, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir do dia 07 de agosto de 2025, com classificação indicativa 12 anos e 100 minutos de duração, dirigido por Guilherme Bacalhao.
O filme tem uma força silenciosa que vem da mistura entre tradição, mistério e uma crítica social bem enraizada. A história acompanha Alex, um cantor sertanejo frustrado que volta ao sertão mineiro para cuidar do pai doente, Lázaro, um violeiro respeitado e capitão da Folia de Reis. Só que o retorno não é só sobre cuidar do pai — é também sobre encarar os fantasmas da família, os pactos não ditos e a tensão entre o sagrado e o profano.
A viola, que dá nome ao filme, é mais do que um instrumento. Ela é símbolo de conexão com o divino, mas também com o diabo, dependendo de quem toca e como. Essa ambiguidade é o coração da narrativa. O filme não tenta resolver essa dualidade — ele a abraça. A fé popular, os rituais, os boatos sobre pactos demoníacos, tudo isso é tratado com respeito e sem caricatura. O sobrenatural está sempre presente, mas nunca escancarado. Tem cobra, tem chocalho, tem silêncio. E esse silêncio diz muito.
A fotografia é belíssima, com pores do sol que parecem pintar os personagens com uma luz quase mística. A direção de arte recria um sertão que não é só cenário, mas personagem. E a trilha sonora, feita com consultoria de músicos e pesquisadores, dá peso às cenas sem roubar a atenção. O filme foi construído com base em pesquisa de campo, conversas com violeiros e moradores do sertão, e isso aparece na autenticidade dos diálogos e dos gestos.
Wellington Abreu, no papel de Alex, entrega uma atuação contida. Ele não precisa dizer muito — o corpo e o olhar fazem o trabalho. O pai, interpretado por Sérgio Vianna, é uma figura que carrega tanto dor quanto sabedoria, e a relação entre os dois é o fio emocional da trama. Gabriela Correa, como Joyce, representa uma juventude que quer escapar, mas ainda está presa às raízes.
O filme não se apressa. Ele deixa espaço para o espectador respirar, observar, sentir. E talvez por isso ele funcione tão bem. Não tenta explicar demais, nem resolver tudo. Ele sugere. E nesse gesto de sugerir, ele respeita a inteligência e a sensibilidade de quem assiste.
“Pacto da Viola” é um filme que fala de Brasil profundo, de crenças que resistem, de afetos que se misturam com medo e fé. Não é sobre o pacto em si, mas sobre o que estamos dispostos a fazer por amor, por reconhecimento, por sobrevivência.









