Drácula – Uma História de Amor Eterno (por Peter P. Douglas)

Drácula – Uma História de Amor Eterno (Dracula – A Love Tale, 2025), longa-metragem francês de romance e drama, distribuído pela Paris Filmes, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir do dia 07 de agosto de 2025, com classificação indicativa 16 anos e 129 minutos de duração.

O filme é uma releitura ousada e melancólica do mito de Drácula. O diretor Luc Besson abandona o terror clássico e mergulha numa estética barroca e romântica, onde o vampiro não é mais um monstro, mas um homem que carrega séculos de dor e desejo. A história acompanha Vlad, que após perder sua esposa Elisabeta, renuncia a Deus e é condenado à eternidade como Drácula. Séculos depois, ele encontra uma mulher que parece ser a reencarnação da amada, e isso reacende tudo que ele tentou enterrar.

O visual é exuberante. Figurinos detalhados, cenários que lembram ópera e uma trilha sonora de Danny Elfman que dá o tom certo de tragédia e beleza. Caleb Landry Jones interpreta um Drácula mais próximo de Werther do que de Nosferatu — um ser apaixonado, cansado, quase gentil. Christoph Waltz aparece como um padre que confronta o conde, e os diálogos entre os dois são o ponto alto do filme. Já Zoë Bleu, como Elisabeta/Mina, entrega uma atuação intensa, mesmo que a personagem seja escrita mais como projeção do desejo do protagonista do que como figura autônoma.

A narrativa se estende por 400 anos, mas o ritmo nem sempre acompanha essa ambição. O terceiro ato se arrasta, e as cenas de ação não têm o mesmo impacto que os momentos mais íntimos. Besson parece mais confortável filmando silêncios e olhares do que confrontos físicos. E isso não é um defeito — é só uma escolha que nem sempre funciona dentro da estrutura do gênero.

O filme não tenta ser fiel ao livro de Bram Stoker. Ele mistura elementos, muda cenários, funde personagens. É uma adaptação livre, quase uma fantasia pessoal do diretor. Quem espera horror vai se frustrar. Quem aceita o melodrama, o exagero e a estética carregada, pode sair tocado. No fim, é menos sobre vampiros e mais sobre amor.

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