
Pesadelos do Passado (The Pact, 2012), dirigido por Nicholas McCarthy, é um daqueles filmes que começam com cara de terror genérico — casa mal-assombrada, trauma familiar, desaparecimento misterioso — mas aos poucos revelam uma estrutura mais complexa e uma atmosfera bem construída. O filme acompanha Annie (Caity Lotz), que volta à casa da mãe após sua morte, mesmo relutante por conta de um passado abusivo. Quando sua irmã e prima desaparecem, ela se vê envolvida em uma investigação que mistura elementos sobrenaturais e crimes reais.
O que chama atenção logo de cara é o uso do espaço. A casa onde tudo acontece não tem aparência de mansão gótica ou cenário clássico de terror. É uma casa comum, suburbana, e isso torna o desconforto mais próximo. A direção de McCarthy aposta em planos longos, pouca trilha sonora e uma câmera que acompanha Annie com calma, criando tensão sem recorrer a sustos fáceis. A fotografia de Bridger Nielson reforça esse clima, com iluminação discreta e enquadramentos que sugerem mais do que mostram.
Caity Lotz segura bem o protagonismo. Boa parte do filme depende da sua presença, já que ela passa muito tempo sozinha em cena. E ela entrega uma atuação física, silenciosa, que funciona dentro da proposta. A personagem não é heroína clássica nem vítima passiva — ela reage, investiga, se assusta, mas continua. O roteiro também evita algumas armadilhas comuns: Annie não ignora os sinais, não demora a pedir ajuda, e quando precisa voltar à casa, leva um policial (Casper Van Dien) com ela.
A trama mistura assombração com serial killer, o que poderia dar errado, mas aqui funciona. O filme revela aos poucos que o verdadeiro vilão não é um espírito, mas alguém muito real — o tio de Annie, Charles Barlow, conhecido como o “Judas Killer”, que vive escondido em um cômodo secreto da casa. Essa virada dá ao filme um tom mais sombrio e psicológico, sem abandonar o clima sobrenatural. A presença do fantasma de Jennifer Glick, uma das vítimas, serve como guia para Annie, e o uso de uma tábua Ouija improvisada com um colar é um detalhe simples, mas eficaz.
O ritmo é lento, especialmente no início, e isso pode afastar quem espera um terror mais direto. Mas essa lentidão ajuda a construir a tensão. O filme não explica tudo — há detalhes que ficam em aberto, como o significado da última cena, em que o olho de Judas se abre em um sonho de Annie. É uma escolha que reforça a ideia de que o trauma não desaparece com o fim da ameaça.
Com orçamento modesto, “Pesadelos do Passado 1”, consegue criar uma atmosfera densa e desconfortável, sem depender de efeitos exagerados. A mistura de gêneros — terror sobrenatural, mistério e thriller psicológico — é bem dosada, e o filme se destaca por não tratar o espectador como alguém que precisa de tudo mastigado. É um exemplo de como dá pra fazer um bom filme de terror com pouco dinheiro, desde que se tenha controle sobre o tom e atenção aos detalhes.









