Milk & Serial (por Peter P. Douglas)

“Milk & Serial” (2024) é um daqueles filmes que aparecem do nada e te pegam de surpresa. Com um orçamento de apenas US$ 800 (oitocentos) dólares, Curry Barker conseguiu fazer muito mais do que o básico — e o resultado, que está disponível no canal dele no YouTube, “that’s a bad idea”, mostra isso. É uma produção claramente independente, com uma pegada quase caseira, mas sem perder o senso de ritmo ou criatividade.

A história acompanha Milk e Seven, dois amigos que mantêm um canal de pegadinhas e resolvem fazer algo especial para o aniversário de um deles. O plano envolve uma brincadeira elaborada, com ajuda de um especialista em efeitos práticos, capaz de simular um tiro com bastante realismo.

O filme começa leve, quase como uma paródia do estilo found footage, mas aos poucos vai mudando de tom, se tornando cada vez mais desconfortável e imprevisível. Não demora para perceber que essa brincadeira vai dar muito errado, e é nesse momento que a tensão realmente começa.

O ponto forte aqui não é a história em si, que é simples, mas a forma como ela é contada. Barker faz praticamente tudo: atua, dirige, edita e assina o roteiro. E ainda assim, o resultado é surpreendentemente consistente. Cooper Tomlinson, que interpreta Seven, também manda bem. Os dois entregam atuações que parecem naturais, com uma dinâmica entre eles que dá credibilidade à amizade e ao pânico que surge depois.

A narrativa usa uma estrutura que mistura linhas de tempo e vai costurando os eventos de forma não linear, o que ajuda a manter o ritmo e evita que o filme fique parado em algum ponto.

Mesmo com os recursos limitados, os efeitos práticos funcionam e contribuem para uma atmosfera pesada, especialmente nos momentos mais sangrentos. E embora o IMDb registre 80 minutos de duração, a versão no YouTube tem apenas 62 — pode ter havido cortes ou o registro simplesmente está errado. De qualquer forma, o filme passa rápido, não enrola e acerta em focar no essencial.

É curioso como “Milk & Serial” começa parecendo mais uma produção amadora e termina deixando claro que Barker tem controle do que quer mostrar. Dá para imaginar o que ele poderia fazer com mais dinheiro. Se você curte terror com cara de experimento, feito por gente que não tem medo de arriscar, vale dar uma conferida.

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