
Surgido na Grécia Antiga como forma de celebrar o deus Dionísio, o teatro evoluiu para se tornar uma das formas de arte mais importantes de todas, juntamente com a pintura e o cinema, porém, diferente do seu irmão audiovisual, onde as situações podem ser descartadas caso não se encaixem no produto final, o teatro permite muitas liberdades criativas, trazendo uma maior espontaneidade e aproximação com o público, e dependendo do contexto se torna o ponto forte do espetáculo, como é o caso da mais nova peça do ator, Youtuber e Influenciador: Victor Magalhães.
A peça “O Mistério da Família Carlos” se utiliza do improviso de uma forma que poucas peças fazem, permitindo que a peça nunca se repita duas vezes, e trazendo um senso de novidade tanto para o espectador quanto para o ator, seguindo uma estrutura clássica e entretendo a audiência por meio de menções a personagens e quadros introduzidos no canal de Victor Magalhães, levando a plateia ao êxtase por conta de finalmente conseguir assistir ao vivo personagens tão marcantes para eles, como Cleitinho e a Vovó.
Tendo como pano de fundo a clássica história de detetive, já desgastada dentro da narrativa tradicional desde antes de Agatha Christie, “O Mistério da Família Carlos” é um espetáculo de improvisos e humor executado sob medida para a geração Z e Alpha, permitindo um foco em absurdos, gritaria, e humor non-sense que se assemelha à Looney Tunes (1930, Leon Schlesinger) em certos momentos, por conta do nível de “caos controlado” presente no espetáculo, sendo auxiliado por projeções no telão, que variam desde cenas de Chaves (1973, Roberto Gómez Bolaños), até cenários que permitem uma maior imersão do espectador dentro da cena, e nas situações que ocorrem, desde momentos mais diretos como a imagem de uma escada no momento que os personagens descem uma escada, ou momentos utilizados de forma humorística como a música tema de Vingadores (2012, Joss Whedon), tocando na introdução dos personagens.
Direcionada ao público infanto-juvenil, a peça apresenta muito cuidado em sua execução, apresentando uma variedade de figurinos e oportunidades para o ator usar a criatividade, na medida que a cada sessão, um sorteio define quem será a vítima de um roubo e quem será o culpado, trazendo novos rumos para a história a cada vez.
É assustador a rapidez com que tanto os atores, quanto a equipe técnica, conseguem lidar com estas situações na hora, colocando músicas, cenas, e interações baseadas em um princípio fundamental do improviso: “Sim, e…”, trazendo uma dinamicidade para a apresentação, apesar de eventuais deslizes, que passam imperceptível em certos momentos, grande parte parece combinado, sendo esta uma das forças de “O Mistério da Família Carlos”.
O elenco, composto por Victor Magalhães, Daniel Garcia, Matheus Moreira, Harry Hu e Larissa Almeida, apresenta uma química palpável, permitindo que toda a peça se torne uma jornada única de imaginação e criatividade. Desde uma peruca mal colocada, até um bebê chorando na plateia, tudo é passível como um gancho para que o colega torne uma piada e leve o espetáculo para novos caminhos, o que cativa muito o público infanto juvenil, levando a risos e gritos de “Eu Te Amo” ao final, assim como uma fila enorme para aqueles que desejavam tirar uma foto com a equipe, e lembrar deste dia para sempre.
“O Mistério da Família Carlos” é uma peça idealizada por Victor Magalhães, com direção de Michelle Galindo, e produção da Quest Media. O espetáculo ficará em cartaz até o fim de Julho no teatro Bor, localizado na Vila Mariana, com sessões aos sábados e domingos às 11:00, e prometendo diversão e jogos de raciocínio lógico para a família inteira, principalmente para o público infanto-juvenil.







