Shadow Force – Sentença de Morte (por Peter P. Douglas)

Shadow Force – Sentença de Morte (Shadow Force, 2025), longa-metragem estadunidense de ação e drama, distribuído pela Paris Filmes, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir do dia 10 de julho de 2025, com classificação indicativa 14 anos e 104 minutos de duração.

Um casal separado, há alguns anos, com uma recompensa oferecida por suas cabeças, embarca em uma fuga desesperada ao lado do filho, buscando escapar de seu antigo empregador — uma unidade secreta de operações especiais enviada para eliminá-los.

O diretor Joe Carnahan já ocupou posição de destaque no universo da ação, e ainda carrega expectativas com novos projetos. A entrada de Kerry Washington neste cenário, tradicionalmente dominado por figuras masculinas, traz um frescor promissor. Contudo, o longa não corresponde às aspirações geradas por seus nomes — trata-se de uma obra que recorre a fórmulas desgastadas, entregando uma narrativa previsível e sem ousadia.

Em vez de oferecer ritmo frenético e confrontos impactantes, o filme opta por uma abordagem que privilegia diálogos extensos, focando na dinâmica familiar entre Kyrah (Kerry Washington), Isaac (Omar Sy) e o filho Ky. Embora haja momentos agradáveis — como referências musicais a Lionel Richie — esse enfoque compromete o impacto das cenas de ação, que surgem em momentos pontuais e de maneira pouco expressiva.

Mesmo com um orçamento modesto, esperava-se mais inventividade. Outros projetos de escala similar demonstraram que é possível conceber coreografias memoráveis com recursos limitados. Aqui, a ação é sufocada por cortes excessivos e falta de ousadia na mise-en-scène. O terceiro ato até tenta ganhar fôlego, mas sem originalidade ou potência dramática. Ao menos, é louvável o esforço prático da equipe ao evitar excesso de efeitos visuais digitais — algo raro no gênero atualmente.

No núcleo dramático, Kyrah sofre com uma construção mal elaborada. A personagem age de forma displicente e passiva, prejudicando não apenas o enredo, mas também o desempenho de Kerry Washington, que tenta conferir humanidade a uma figura comprometida pela inconsistência narrativa. Isaac, por sua vez, apresenta um arco simplório, reduzido à constatação de que ainda sabe atirar bem.

Entre os destaques está Da’Vine Joy Randolph, que injeta energia e presença à produção, especialmente ao lado de Method Man, como “tia” e “tio”. Já Mark Strong — talentoso, porém previsivelmente escalado como antagonista — parece aprisionado em um papel genérico e subaproveitado, reforçando a sensação de que há poucas camadas dramáticas nos vilões apresentados.

“Shadow Force – Sentença de Morte” falha em estabelecer uma conexão com o público amante do gênero. Seus escassos momentos de ação não compensam os trechos arrastados, e o casal central carece de química e profundidade. A tentativa de lembrar clássicos como “Sr. & Sra. Smith” (2005) resulta em algo sem identidade. No fim, a produção se assemelha a um projeto com muitas vozes criativas em conflito e pouco foco narrativo — um exemplo de potencial desperdiçado.

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