Jurassic World: Recomeço (por Peter P. Douglas)

            Jurassic World: Recomeço (Jurassic World: Rebirth, 2025), longa-metragem estadunidense de ação e suspense, distribuído pela Universal Pictures, estreia, oficialmente, nos cinemas brasileiros, a partir do dia 03 de julho de 2025, com classificação indicativa 14 anos e 134 minutos de duração.

            Com este capítulo, a franquia tenta reconquistar o público com novos personagens e uma trama que busca replicar a espetacularidade do filme original. Ingredientes não faltam: dinossauros à solta em um paraíso tropical, humanos fugindo para salvar suas vidas e um orçamento de efeitos visuais robusto, teoricamente capaz de criar um espetáculo visual deslumbrante. No entanto, apesar de todos os esforços para emocionar, “Jurassic World: Recomeço” possui uma fraqueza que o torna mais adequado a um serviço de streaming do que às telas de cinema.

            Ambientado alguns anos após “Jurassic World: Domínio” (2022), o longa segue um novo grupo de humanos superconfiantes que viajam para a Ilha Saint-Hubert, lar de dinossauros geneticamente modificados que se recusam a ser controlados. Com as drásticas mudanças climáticas globais, a ilha é um dos poucos lugares onde essas criaturas ainda prosperam.

            Embora o perigo das águas e da ilha seja amplamente conhecido – afinal, é quase impossível combater um réptil gigante com um instinto predatório inato –, há uma fortuna a ser feita com medicamentos milagrosos derivados do material genético dos dinossauros. É por isso que o executivo farmacêutico Martin Krebs (Rupert Friend) convence o paleontólogo Henry Loomis (Jonathan Bailey) e os especialistas táticos Zora Bennett (Scarlett Johansson) e Duncan Kincaid (Mahershala Ali) a embarcarem em uma missão secreta que acaba dando errado.

            Menos claras são as motivações do divorciado Reuben Delgado (Manuel Garcia-Rulfo), que insiste em navegar perto da ilha com suas filhas Teresa (Luna Blaise) e Isabella (Audrina Miranda), e o namorado de Teresa, Xavier Dobbs (David Iacono). A família fica à deriva quando seu pequeno barco é atacado por dinossauros aquáticos que os veem como um saboroso petisco. Ao chegarem à praia, eles parecem incapazes de compreender o perigo que poderiam ter evitado.

            Embora “Recomeço” una seus personagens humanos rapidamente, o filme falha em conectar seus arcos de forma coesa, não parecendo a história que o roteirista David Koepp e o diretor Gareth Edwards pretendiam contar. A equipe de Bennett e a família Delgado parecem pertencer a filmes muito diferentes. Todos são variações de personagens de projetos anteriores da franquia “Jurassic”, indicando que a Universal busca um “leve reboot”. Isso não seria um problema se o filme conseguisse igualar a energia de seus antecessores e apresentar seus dinossauros mutantes de maneiras mais imaginativas e emocionantes. Mas, exceto por uma cena tensa na encosta de uma montanha habitada por pterossauros, o filme é surpreendentemente contido.

            Essa previsibilidade ressalta a narrativa central do longa, que é direta e com ares de videogame. Bennet e Loomis precisam coletar amostras de três tipos específicos de dinossauros, cada um vivendo em partes distintas da ilha. E, à medida que os humanos coletam suas “recompensas”, fica cada vez mais evidente que estão caindo em uma série de armadilhas mortais.

            Por um tempo, parecia que a Universal estava disposta a recolocar os dinossauros no topo da cadeia alimentar. “Jurassic World” prometia uma nova direção para a franquia, com potencial para espetáculos de grande orçamento variados. No entanto, “Recomeço” retrocede, e sua monotonia aponta para um futuro previsível e relativamente entediante para a série.

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